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Full text of "Revista internacional do espiritismo"

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REVISTA MENSAL DE ESTUDOS ANÍMICOS E ESPÍRITAS 





SUMÁBIO 

Problemas Humanos. 

Redação 

A Vidente de Prevorst. 

Dr. Francisco Klõrs Werneck 

Confederação Espíritica Pan Ameri¬ 
cana (CEPA). 

C. E. P. A. 

Loucura Progressiva. 

Leopoldo Machado 

Espiritismo e Psicanálise .... 

Carlos ímbassahy 

Fenômenos de Materialização . . . 

Amadeu Santos 

Os Discípulos de Jesus. 

Aurélio A. Valente 

Sugestão e Atitude Mental .... 

Adaufo de Oliveira Serra 

0 Espírito Criança. 

J. B. Chagas 

Livros e Autores. 

Leopoldo Machado ** 

Espiritismo e Loucura. 

Djalma Farias 

Crônica Estrangeira ...... 

Redação 

Espiritismo no Brasil. 

Redação 

Necrologia. 

Redação 


























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ANO XXIII - E. S. Paulo - Matão, 15 de Junho de 1947 - NUM. 5 

Renista Internacional 

do espiritismo 

REVISTA MENSAL DE ESTUDOS ANÍMICOS E ESPÍRITAS 

FUNDADOR : Cairbar Schuíel 

DIRETOR : José da Costa Filho *x* REDATOR : A. Watson Campeio 
GERENTE : Anlonia Perche S. Campeio 

Redação: Av. 28 de Agosto, n. 301 Oficinas: Rua Rui Barbosa, n. 673 


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PROBLEMAS HUMANOS 


humanidade começa a 
entrar numa nova éra 
em que novos sistemas, 
tendentes a resolver os 
magnos problemas hu¬ 
manos, estão sendo ex¬ 
perimentados. Até ago¬ 
ra, a-pesar dos esforços hercúleos 
empregados pelos homens de evidên¬ 
cia no cenário político, tais proble¬ 
mas continuam insolúveis, desafiando 
diplomatas, economistas, cientistas, 
escolas antigas e modernas, religiões 
e filosofias. 

O sistema democrático que há 
séculos vem dirigindo a vida da hu¬ 
manidade não deu os resultados sa¬ 
tisfatórios que todos esperavam. O 
atrito entre o capital e o trabalho 
continua a jogar faíscas por todos os 
lados e, se não aparecer a tempo 
uma fórmula conciliatória, veremos o 
crepitar das suas chamas a devorar 
os restos de uma civilização decaída, 
sôbre cujas cinzas se erguerá natu¬ 
ralmente um novo mundo baseado na 
justiça. 

O fascismo e o hitlerismo, de 
triste memória, e o comunismo que 
vem sendo um verdadeiro espantalho 
para os açambarcadores e os Irus- 
lislas que, como vampiros, sugam até 
a última gota da economia popular 
são os frutos amargos do sistema de¬ 
mocrático que, como as religiões do¬ 
minantes, falhou na sua missão de 


bem servir a todos com equidade, de 
vez que protege meia duzia de aven¬ 
tureiros insaciáveis, em detrimento de 
milhões e milhões de creaturas que 
vivem na miséria, sem roupa, sem 
pão e sem remédio, enfim, sem a 
menor proteção dos responsáveis pe¬ 
la sua situação aflitiva. 

E’ claro que o mundo não póde 
ficar como está. Ha de surgir, nêsse 
cáos, alguma cousa que ponha tudo 
no seu devido eixo. O sistema demo¬ 
crático, as ideologias e governos di¬ 
tatoriais jamais resolverão a magna 
questão, porque ’se pudessem já o 
teriam feito ha mais tempo, uma vez 
que já foram postos à prova. 

Existe atualmente um movimento 
trabalhista destinado a socializar os 
povos sob a égide da justiça, movi¬ 
mento êsse que vai ganhando terre¬ 
no nas massas trabalhistas, que são 
realmente o esteio da sociedade, das 
nações, de vez que sem o produto do 
operário e do lavrador, ninguém, por 
mais rico e poderoso que seja pode¬ 
rá subsistir. Sem o alimento em pri¬ 
meiro lugar, e a roupa em segundo, 
as utilidades, o dinheiro, o poder, etc., 
tornam-se cousas sem o menor valor 
e até mesmo inúteis. 

Os lideres dêsse movimento pen¬ 
sam resolver assim, a contento de 
todos, empregados e empregadores, 
a questão social. Conseguirão eles 
pleno êxito nêsse louvável intuito ? 















104 — 


Revista internacional do Espiritismo 


Duvidamos. Não que sejamos pesse- 
mistas, peio contrário, como espiritas, 
temos a obrigação de ser sempre oti¬ 
mistas, uma vez que vemos em tudo 
isso a execução, sem perda de um 
til ou de um i, das predições de Je¬ 
sus. Duvidamos precisamente porque 
somos otimistas, senão vejamos: 

O nosso mundo, que é uma das 
muilas moradas da Casa do Pai , é 
procurado, por fôrça da lei de evo¬ 
lução, pelos espíritos que ainda ne¬ 
cessitam libertar-se das injunções in¬ 
feriores da materialidade, dos seus 
vícios e paixões, afim de poderem 
habitar mundos superiores. Estão ap¬ 
tos a comprender as cousas, têm fa¬ 
culdade de discernir o bem do mal, 
mas são ainda escravos de imperfei¬ 
ções morais ou espirituais. Uns mais 
atrasados, outros mais adiantados, 
mantêm entretanto entre si algo de 
afinidade. Os mais atrasados não po¬ 
dem sentir a mesma paz de espírito 
que sentem os mais adiantados e 
nem ver as cousas mais claras que 
êstes. 

Os mais adiantados sabem cum¬ 
prir os seus deveres, respeitar e aju¬ 
dar os seus semelhantes, conhecendo 
que os bens materiais são provas tal¬ 
vez mais pesadas que os sofrimentos 
físicos, por isso que têm forças para 
renunciarem tudo o que é terreno e 
que sirva de estímulo ao orgulho e à 
vaidade. 

Havendo desigualdade de con¬ 
dições morais e espirituais, de inteli¬ 
gência e raciocínio, como se poderá 
fundar uma sociedade em bases fir¬ 
mes, em que imperem realmente a 
justiça e o espírito de fraternidade ? 

Não [basta socializar as massas, 
é preciso antes que tudo sociabilizá- 
las cristãmente, isto é, dar-lhes ins¬ 
trução moral e espiritual, para que 
elas compreendam e cumpram os 
seus deveres de solidariedade frater¬ 
na, construindo o templo de uma so¬ 
ciedade verdadeiramente cristã. Se 
não houver um movimento nêsíe sen¬ 


tido, tudo o que se fizer a respeito 
não atingirá o seu fim e as lutas con¬ 
tinuarão por tempo indeterminado, 
causando males inenarráveis. 

E' preciso sociabilizar sob a mo¬ 
ral cristã e não socializar apenas. 
Socializar é reunir em sociedade, uma 
reunião na qual, a par de meia duzia 
de esclarecidos, existem milhões de 
fanáticos, ignorantes, perversos, etc. 
Sociabilizar é educar. E para a edu¬ 
cação ser completa é preciso a prᬠ
tica da moral cristã, do Evangelho 
de Jesus interpretado em espírito e 
verdade. 

No momento conhecemos só¬ 
mente uma escola que sabe sociabi- 
lizar as massas — o Espiritismo. Pre¬ 
tender acabar com a miséria e a es¬ 
peculação apenas para satisfazer as 
aspirações materiais das massas, que 
se fossem ricas e poderosas fariam o 
mesmo que fazem os magnatas, é 
malhar em ferro frio. 

Educar moral e espiritualmente 
as massas é o que se deve fazer já, 
se efetivamente quisermos que a jus¬ 
tiça e a solidariedade fraterna esta¬ 
beleçam o seu domínio nêste mundo. 

Esta tarefa não foi confiada a 
nenhuma das religiões tidas como ofi¬ 
ciais, porque já faliram no seu traba¬ 
lho de evangelização, nem a nenhum 
dos homens que se movimentam no 
tablado das competições humanas. 
Eoi confiada ao Espiritismo sómente, 
porisso que a difusão desta doutrina 
equivale a sociabilizar cristãmente as 
massas, para que, libertas das suas 
imperfeições morais e espirifuais, pos¬ 
sam constituir um só rebanho com 
um só pastor — o Cristo de Deus. 

Os males que afligem os povos 
atualmente são o prenúncio de me¬ 
lhores dias em um futuro um pouco 
distante ainda, porque o progresso 
não dá saltos. Porisso que sustenta¬ 
mos o nosso otimismo, muito embora 
a procela aumente a sua fúria de ho¬ 
ra em hora. 


O corpo, sendo exclusivamenle material, passa pelas vicissitudes da 
matéria; depois de ter funcionado por algum lempo, desorganiza-se e de¬ 
compõe-se. O princípio vital, por não achar mais elementos para a sua 
atividade, extingue-se e o corpo morre. O Espírito, para quem o corpo 
privado da vida daí em diante não iem utilidade, deixa-o como se aban¬ 
dona uma casa em ruinas ou uma veste imprestável. — A. KARDEC. 





Revista Internacional do Espiritismo 


105 — 



PRIMEIRA PARTE 
A Vida e as Faculdades da Vidente 


Chegada da vidente a Weinsberg 

Quando chegou a Weinsberg, a 
25 de Novembro de 1926, era a sra. 
Hauffe uma perfeita imagem da mor¬ 
te: descarnada como um esqueleto e 
incapaz de manter-se em pé ou 
de deitar-se sem auxílio alheio. Era 
preciso dar-lhe, a todos os momen¬ 
tos, uma colher de caldo, que não 
podia engulir e que, muitas vezes, 
deitava fóra. Se não se fizesse isso, 
desmaiava ou tinha convulsões. Êla 
pressentia certo número de sintomas 
inquietanles e cada noite, às 7 horas, 
caía em estado sonambúlico, que era 
comumente precedido de um cruza¬ 
mento de braços e de uma prece. 
Depois os estendia, deixando-os re¬ 
pousar sôbre o leito e começava a 
falar, mantendo os olhos fechados e 
as feições animadas. 

No dia da sua chegada, desde 
que adormeceu, ela me chamava, mas 
lhe fiz ver que só a veria quando 
estivesse acordada. Despertou então 
e eu me transportei para perto dela, 
dizendo-lhe, em tom breve e sério, 
que estava decidido a não dar aten¬ 
ção ao que diria durante o seu sono 
e que não queria mesmo que se me 
desse conhecimento disso. Acrescen¬ 
tei que êsse estado sonambúlico, que 
causava tantas inquietações aos seus 
amigos, devia ter fim. Apoiei essa de¬ 
claração com expressões muito enér¬ 
gicas, porque tomára a firme resolu¬ 
ção de tratar do seu caso só pelos 
recursos ordinários da medicina. Proi¬ 
bí se ocupasse dela quando se a- 
chasse em seu estado sonambúlico e 
iniciei um tratamento homeopático re¬ 
gular, mas as doses dos medicamen¬ 
tos, mesmo as menores, produziam 
nela efeitos opostos aos que eram de 
se esperar. Apresentou vários sinto¬ 
mas alarmantes e tornou-se muito 
provável que o seu fim não tardaria: 


Pelo Dr. Justino Kerner 

Tradutor: T)r. Francisco Klòrs Werneck 


todos os seus amigos chegaram a ês¬ 
se resultado. 

Era já muito tarde para que o 
meu plano tivesse qualquer probabi¬ 
lidade de sucesso. Sob a ação de 
influências magnéticas de diversas es¬ 
pécies, seu sistema nervoso fora leva¬ 
do a um estado tão excepcional e a- 
normal que não lhe era possível viver 
mais tempo por sua própria fôrça 
nervosa, mas só pela que lhe trans¬ 
mitiam outras pessoas. Fiquei conven¬ 
cido disto depois de bem pouco tem¬ 
po. Ficava-se espantado ao vêr com 
que segurança ela indicava, durante 
seu sono, os meios que deviam cu¬ 
rá-la e, com grande vergonha sua,' o 
médico era obrigado a verificar quan¬ 
to os meios, que ela prescrevia, su¬ 
peravam em eficácia tudo o que a 
sua farmacopéia podia fornecer. 

Assim, depois de ter, durante vᬠ
rias semanas, mantido o meu trata¬ 
mento médico, perguntei-lhe, quando 
em estado de vigília, se um trata¬ 
mento magnético regularmente minis¬ 
trado lhe seria útil, dizendo-me ela 
que não poderia responder-me senão 
à noite, pelas sete horas, quando se 
lhe fizessem passes magnéticos. Co¬ 
mo eu estivesse bem resolvido a evi¬ 
tar os processos magnéticos, encar¬ 
reguei um amigo de fazer os passes, 
do que resultou ela dizer que um tra¬ 
tamento magnético, cuidadosamente 
seguido durante sete dias, muito con¬ 
tribuiria para restituir-lhe as forças. 

Êsses passes diários resultaram, 
com profundo espanto seu, porque 
ela não sabia o que se executava, em 
fazê la sentar-se na cama no dia se¬ 
guinte, sentindo-se mais torte do que 
nunca, desde o começo do seu tra¬ 
tamento. Prosseguiu-se, então, duran¬ 
te vinte e sete dias, um tratamento 
regular, observando-se, estritamente, 
todas as instruções que ela dava du¬ 
rante o seu sono e se puseram de 
lado todos os outros meios. 






















Revista íuccrnacionai do Espiritismo 


- 106 ~ 


Ainda que o restabelecimento 
completo de sua saúde fosse impos¬ 
sível e permanecessem sempre sinto¬ 
mas penosos, essa infeliz mulher foi 
tão grandemente aliviada por êsses 
meios quanto era de se desejar num 
caso de tal natureza, porém o abalo, 
que ela experimentara por ocasião da 
morte de seu pai, neutralizava essa- 
influência benfazeja e, desde então, a 
sua vida não parecia manter-se se¬ 
não por um fio. 

Os acontecimentos dessa vida 
interna, as numerosas indicações so¬ 
bre a vida interior do homem, sôbre 

a existência de um mundo de espíri¬ 
tos em torno de nós, assim como sô¬ 
bre o que podemos chamar de tem¬ 
po em que a nossa alma, liberta da 
matéria que pesa sôbre ela, desen¬ 


volveu suas asas para voar, sem óbi¬ 
ces, através do tempo e do espaço, 
constituirão a matéria deste volume. 
Limitar-me-ei a citar os fatos, dei¬ 
xando a outros o cuidado de inter¬ 
pretá-los. 

Já se propuseram bastante teo¬ 
rias para explicar tais fenômenos. Eu 
os conheço, mas que me seja permi¬ 
tido não adotar nenhuma delas. Que¬ 
ro apenas procurar mostrar, citando 
diversos exemplos de aparições do 
mesmo gênero, que as revelações 
dessa sonâmbula nada descobriram 
que não seja natural e que já não te¬ 
nha sido observado, mas as visões 
dessa natureza, que atravessam o es¬ 
pesso invólucro da vida ordinária, 
não são mais que vestígios da luz de 
uma região superior. 

(Continua) 


CONFEDERAÇÃO ESPIRÍTICA PA N AMERICANA (CEPA) 

(sT ELEITO SEU CONSELHO EXECUTIVO 


Na Presidência o Delegado da Liga Espí¬ 
rita do Brasil 

Em data de 28 de Abril último, na 
sede da Confederação E. Argentina (CEA), 
a calle Sanchez de Bustamante 463, em 
Buenos Aires, na República Argentina, 
onde se realizou o i.° Congresso E. Pan 
Americano, sob a Presidência de Delfino 
Ferreira, Delegado da Liga E. do Brasil e 
Representante da Faculdade Brasileira de 
Estudos Psíquicos, da Federação E. do Pa¬ 
raná, da «Revista Internacional do Espi¬ 
ritismo» e do jornal «O Clarim», de Ma- 
tão, S. Paulo, Congresso cuja finalidade, 
com êxito alcançada, foi a fundação de 
uma Entidade Federativa do Espiritismo 
organizado nos países das Américas, ins¬ 
talou-se esta, representada na CONFE¬ 
DERAÇÃO E. PAN AMERICANA 
(CEP A), uma vez organizado, afinal, o 
Conselho Federal, que é constituído dos 
Representantes de todas as Entidades inter- 
americanas adesas, quer hajam se feito 
representar ou não naquêle Congresso, 
tendo as que ao mesmo aderiram, fazen¬ 
do-se ou não representar, o título de 
FUNDADOR em se filiando ao novel or¬ 
ganismo. Ourrossim igual título cabe ás 


individualidades que ao mesmo Congres¬ 
so aderiram. 

O Brasil está representado na CEPA 
pelas seguintes Entidades: Liga Espírita 
do Brasil, Faculdade Brasileira de Estudos 
Psíquicos, «Revista Internacional do Es¬ 
piritismo», C. E. «Estrada de Damasco» 
(E. do Rio de Janeiro) e «Tribuna Espí¬ 
rita», de S. Paulo. Relativamente ás ade¬ 
sões pessoais não temos elementos sufi¬ 
cientes para uma informação completa aos 
nossos leitores. 

Representam, no Conselho Federal da 
CEPA aquelas Entidades brasileiras os se¬ 
guintes confrades portenhos, devidamente 
credenciados : Engenheiro Sr. José Salva¬ 
dor Fernandez, da Comissão Diretiva da 
Sociedade «Cons.tancia», a decana das En¬ 
tidades espiríticas argentinas; Snra. Rosa 
H. de Garcia Romano, Presidente da Co¬ 
missão Feminina de Cultura e Assistência 
Social da CEA; Sr. Santiago Bossero, ex- 
membro da Mesa Diretora do referido 
Congresso e de Secretariado organizador 
da CEPA ; Sr. Hugo Nale, Presidente da 
CEA, ex-2. 0 vice-presidente do Congresso, 
ex-membro do citado Secretariado e pre¬ 
sidente da Comissão Organizadora do 
Congresso; e Sr. Albireo Bárcon, ex-con- 











Revista Internacional do Espiritismo 


107 — 


gressista e elemento de alta projeção na 
Sociedade «Constância» por sua cultura 
e autoridade na doutrina. 

Reunidos todos os membros do Con¬ 
selho Federal, trocadas idéias em torno 
de determinadas exigências estatutárias, 
resolvidas todas as dificuldades e aplaina¬ 
dos todos os obstáculos, procedeu-se à 
votação para os diversos cargos do Con¬ 
selho Executivo, por voto secreto, e para 
cada cargo de per si. Destarte, feita e 
apurada a votação para o de PRESIDEN¬ 
TE DA CEPA, resultou eleito o Sr. En¬ 
genheiro José S. Fernandez, ex-3. 0 Vice- 
Presidente do i.° Congresso E. P. Ameri¬ 
cano, e membro do Conselho Federal co¬ 
mo Delegado da LIGA ESPÍRITA DO 
BRASIL. 

A seguir foram eleitos, sucessiva- 
mente : 

i.° Vice-Presidente: Sr. Natálio Cec- 
carini, ex-congressista, e Diretor da Re¬ 
vista «LA IDEA», órgão oficial da CEA. 
Representante da Sociedade de Estudos 
Metapsíquicos, do Chile; 

2. 0 Vice-Presidente: Sr. Bienvenido 
Roque, Representante da CEA, ex-Con- 
gressista, Relator do ante projeto de Es¬ 
tatutos da CEPA e Presidente do Ateneu 
de Buenos Aires; 

Secretário Geral: Dr. Luis Di Crís- 
tóforo Postiglioni, Representante da Fe¬ 
deração E. de Porto Rico, ex-secretário 
geral da Comissão Organizadora do Con¬ 
gresso e também deste; da Comissão Di¬ 
retiva da Soc. «Constância» e Secretário 
da Revista «Constância»; Delegado, no 
Congresso, da Sociedade de Medicina e 
Espiritismo do Rio de Janeiro; 

Secretário Administrativo: Sr. Albi- 
reo Barcón, Representante da «Tribuna 
Espírita», de S. Paulo, Brasil; 

Secretário de Relações: Sr. Prof. Eu¬ 
gênio Fioravanti, ex-congressista, relator 
de uma de suas mais importantes Comis¬ 
sões, Representante dos Estados Unidos, 
pelo Centro Caridad, New York; 

Secretário de Imprensa e Propaganda: 
Sr. Humberto Mariotti ; Representante da 
Soc. Victor Hugo, de Buenos Aires; ex- 
congressista e membro da Mesa Diretora, 
e do Secretariado organizador da CEPA 
por Delegação do Congresso; 

Tesoureiro: Sr. Francisco Garcia Ro¬ 
mano, Representante da Soc. «Te Peddo- 
no», de La Plata. Ex-congressista, mem¬ 
bro da Mesa Diretora do mesmo e ele¬ 
mento ativo e de valor na CEA; 


Vice-Tesoureiro : Sr. Hugo Nale, Re¬ 
presentante do C. E. «Estrada de Damas¬ 
co», Brasil; 

Vogais: Srs. Nicolás Galasso, Re¬ 
presentante da Soc. La Fraternidad, de 
Buenos Aires; e Santiago Bossero, Re¬ 
presentante da «Revista Internacional do 
Espiritismo», Brasil. 

De 5 representações brasileiras qua¬ 
tro integram o Conselho Executivo. 

Temos, assim, em início de marcha, 
transformada em facto, a idéia de que re¬ 
sultou a criação da CEPA. 

Que as Entidades e os Espiritistas 
de todas as nações das três Américas 
COMPREENDAM O ALCANCE ESPI¬ 
RITUAL dêsse empreendimento, vendo 
na CEPA um órgão de confraternização 
antes que de mando; um organismo me¬ 
nos de sistematização que de difusão da 
Doutrina; uma entidade que pretende ser 
cérebro e coração, não braço diretor ou 
executor : que pretende federar para ir¬ 
manar, para confraternizar, tornar-se o 
fio que una entre si todas as entidades 
espiríticas americanas, sem, todavia, criar- 
se um exclusivismo continental, tanto que 
de seus Estatutos consta sua adesão, em 
tempo, à Internacional de Paris. 

Que o Brasil Espiritista, que tanta 
responsabilidade tem na expansão e prᬠ
tica da Doutrina, responsabilidade que 
lhe advém de sua atividade doutrinária, 
de suas iniciativas, de sua estuante atua¬ 
ção, possa compreender, êle mais ainda 
que as outras nações irmãs, o papel que 
a cada uma dessas nações cabe nêsse mo¬ 
vimento, mormente considerando a éra 
que vivemos, de luta e de «experimenta¬ 
ções». 

A Confederação E. Pan Americana 
(CEPA) precisa e deve crescer, viver, pro¬ 
duzir para colher. E a seiva mais forte 
ainda está na ação do Brasil espiritista, 
que, portanto, mais tendo, mais deve dar. 

E’ preciso compreendermos, nós to¬ 
dos, povos da América Espiritista, que de 
nossa união, da coesão de nossos esforços 
espirituais depende o futuro do Espiritis¬ 
mo, não apenas na América, mas NO 
MUNDO! 

Nascido ou renascido na América, 
passando para a Europa, o Espiritismo 
retornou à América, e, nesta, está no 
Brasil sua maior expressão de luz e de 
amor. De ação e, quiçá, de Liberdade. 

E’ por esta Liberdade que precisa¬ 
mos lutar, dentro de uma ação pacífica 









- 108 


Revista Internacional do Espiritismo 


que sómente na união de todos poderá 
encontrar sua força, sua vida. 

«Ninguém tem o direito de por-se 
ã margem dos grandes movimentos de união 
espiritual , AIFIDA QUE NO FIM , FRA¬ 
CASSEM», como superiormente se ex¬ 
pressou José da Costa Filho justificando 
a adesão da «Revista Internacional do Es¬ 
piritismo» à CEPA. 

O 2. 0 Congresso E. Pan Americano, 


como ficou resolvido em plenário do i.°, 
se realizará no Brasil, naturalmente no 
Rio de Janeiro (é idéia de para outras 
vezes que a reunião toque ao Brasil, es¬ 
colher-se S. Paulo, Belo Horizonte, e su¬ 
cessivamente outras cidades). A presidên¬ 
cia da Comissão Organizadora, caberá à 
Entidade Nacional de maior quadro as¬ 
sociativo. E’ bom irmos pensando nisto 
desde já... 


LOUCURA PROGRESSIYA 

-^ Leopoldo Machado - 


Os males, mais do que as venturas, 
nunca vêm só. 

E’ mais forte entre as desgraças a 
lei de alidades. 

Por isso é que a guerra é mal que 
nunca vem só. 

Depois dela, a fome, as epidemias, 
as loucuras não faltam. 

Falemos um pouco do último dos 
males aí enfileirados. 

Pouco antes da guerra, o psiquiatra 
americano, Henri Soulivan, lançou ao 
mundo o brado de alarme contra a lou¬ 
cura universal que o dominava. E disse 
que a humanidade, louca, ou esquizofrê¬ 
nica, preparava, na sua loucura, a maior 
e a pior das guerras. 

A guerra, que testemunhámos, deu 
razão ao psiquiatra. 

Está, quasi, a terminar... 

E a loucura ? 

As dificuldades que as nações ven¬ 
cedoras estão encontrando para firmar a 
paz; dificuldades bem maiores do que as 
que demandaram para vencer os inimigos, 
e a quantidade de loucos por toda parte, 
estão gritando, altíssima voce, que a lou¬ 
cura progride desbragadamente. 

E contra mal tão grande, que provi¬ 
dências sérias a tomar ? 

Com a palavra ilustre médico patrí¬ 
cio, dr. Mirandolino Caldas, autoridade 
no assunto, através de jornal dos mais 
lidos: O Globo. 

Dí-lo assim o ilustre médico: 

«Nenhum sistema, nenhuma política 
sanitária, nenhuma política assistencial 
conseguiu, até hoje, frear a loucura em 
nenhuma parte». 

Em toda parte, sim 1 


Até nos países líderes, no momen¬ 
to, por seu poderio militar, por sua cul¬ 
tura, por seus recursos formidáveis. 

Temos diante dos olhos substancio¬ 
sa estatística da loucura declarada, por¬ 
que de enfêrmos hospitalizáveis, nos maio¬ 
res países do mundo. 

Queremos, porém, focar os três mais 
respeitáveis : Estados Unidos, Inglaterra e 
Rússia. 

Os loucos nos Estados Unidos, que 
andam a superlotar os manicômios, da¬ 
riam para superpovoar duas capitais bra¬ 
sileiras: Recife e Salvador. 

Povoariam Porto Alegre, e ainda so¬ 
braria muita gente louca, os da Inglaterra. 

Os da Rússia superpovoariam Belem 
do Pará e S. Luiz do Maranhão. 

Loucos hospitalizáveis, note-se bem. 

O «estado maior da Loucura», què 
o grosso da tropa, lá por fóra dos mani¬ 
cômios. 

E muitos, com situação de desta¬ 
que e de mando, no comércio, na políti¬ 
ca, nas indústrias, nas ciências ... 

E essas nações líderes, que dispo- 
seram de recursos para esmagarem inimi¬ 
go tão poderoso na última guerra, dis- 
põefci de meios para atender a todos os 
estigmatizados por mal tão terrível ? 

Absolutamente 1 

Basta citar um só caso: o da Rússia. 

Para abrigar seus duzentos mil lou¬ 
cos, a grande e poderosa Rússia não dis¬ 
põe de mais de 40.000 leitos, segundo o 
depoimento do psiquiatra russo, Prozo- 
roáf... 

E trata-se de uma nação que já re¬ 
solveu a questão social, correndo sua po¬ 
lítica e seu governo ao encontro do povo ! 








Revista Internacional do Espiritismo 


— 109 — 


Como será a situação de tão gran¬ 
des infelizes entre os povos vencidos ? 

Na Alemanha, por exemplo, os ma¬ 
nicômios estão pondo os loucos na rua, 
por excesso de candidatos a eles e por 
falta de recursos para mantê-los. 

De um país muito nosso conhecido, 
certo cronista muito vosso conhecido ou¬ 
viu, uma feita, de ilustre alienista o se¬ 
guinte : cSe o governo pusesse aqueles 
infelizes do Hospício encostados á parede 
e mandasse fuzilar a todos, faria maior 
obra de caridade, creia, do que dar-lhe o 
tratamento e a assistência que lhes dá I 

Parece que a época é de loucura 
progressiva. 

Tão grande, que dela escreveu o 
médico acima citado : «A população ma- 
nicomial cresce, cresce sempre em todos 
os países. Cresce naqueles que facilitam 
amplas acomodações hospitalares, como 
os Estados Unidos e Inglaterra ; cresce 
nos que procuram poupar as acomoda¬ 
ções, como a Alemanha, a França, a Ita- 
lia e muitos outros países; cresce, final¬ 
mente, naqueles que procuram reduzir e 
comprimir, a todo custo as referidas aco¬ 
modações, como a Rússia Soviética* ... 

Tão deficiente e imperfeita é, ainda, 
a assistência que as nações conferem aos 
seus loucos, que proíbem, ou criam em¬ 
baraços àquilo que, querendo colaborar, 
sponte sua e gratuitamente, com os go¬ 
vernos, se propõe a diminuir a loucura à 
face do Planeta: o Espiritismo. 

E é o Espiritismo a única terapêu¬ 
tica de molde a curar 90 ®/o dos loucos 
que abarrotam os manicômios, que se cru¬ 
zam conosco, a todo instante, por aí, em 
virtude de 90 °/ 0 serem mais obsidiados 
do que loucos 1 E de estarmos vivendo a 
hora apocalíptica da soltura, por algum 
tempo, do Satanaz (leva de espíritos imun¬ 
dos que desceram à Terra, afim de ten¬ 
tarem todos os povos, a Gog e a Magog), 
empurrando-os à guerra e à loucura. 
(Apoc. XX —8). E de ser a Terra, atual¬ 
mente, a casa varrida e ornada, a que 


seus espíritos imundos, dela egressos ha 
séculos, estão voltando, trazendo cada um 
consigo sete espíritos ainda piores. (Mat. 

XII— 43 a 45). 

E só o Espiritismo se propõe, era 
nome do Cristo, a colaborar com os go¬ 
vernos nêste passo, sem pedir, quasi sem¬ 
pre, aos governos nada mais além da per¬ 
missão de poder agir, curando, assistindo, 
confortando os doentes ... 

Para nós, nenhuma obra é mais me¬ 
ritória, porque cheia de mais renúncias 
e abnegações dentro do Espiritismo, do 
que a cura de obsidiados, do que a ma¬ 
nutenção de casas para tais fins. 

Que nos importam a nós que teóri¬ 
cos «Mestres em Israel» andem a gritar, 
para implícita justificativa de sua descari- 
dade e de seu comodismo, dentro duma 
Doutrina que não comporta comodistas, 
que o Espiritismo não existe para isso ? 

O Espiritismo existe para tudo que 
possa beneficiar a humanidade. 

E beneficiá-la, arrancando-a da lou¬ 
cura é a maneira mais santa do benefício ! 

Nunca é de mais, portanto, presti¬ 
giar obras com o desideratum de comba¬ 
ter a loucura, cooperando e colaborando 
com os que lhes estão à frente, porque 
tais obras são as mais altruísticas que se 
constroem em nome da Doutrina e do 
Cristo. 

E’ êste, pois, o caso do Sanatório 
Espírita , de Uberaba, da Casa Allan Kar- 
dec , de Franca, do Sanatório Américo 
Bairral, de Itapira, do Asilo Deus, Cristo 
e Caridade, de Itapemirim, do Hospital 
Espírita , de Porto Alegre, todos em fran¬ 
co funcionamento. E do Bom Retiro , de 
Curitiba e Pedro de Alcantara , inaugura¬ 
dos a entrarem em pronto funcionamento. 
E do Sanatório Jesus , de Cruzeiro, em 
vias de construção. 

Combater a pról de tais instituições 
é, por certo, «combater o bom combate», 
a despeito de teóricos e comodistas «mes¬ 
tres em israel* andarem a escrever por 
aí que tais obras devem estar na alçada 
dos governos e não do Espirirismo... 


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- 110 — 


Revista internacional do Espiritismo 


Espiritismo e Psicanálise 


CARLOS 

IMBASSAHY 


Passando a vista pelo ótimo jornal 
que é «O Estado de São Paulo », deparou- 
se-me um artigo do Roger Bastide, «O 
Espiritismo ponto de encontro da Psica¬ 
nálise e da Sociologia». 

Para êsse autor o «Espiritismo ofe¬ 
rece em todas as suas sessões, romances 
do inconsciente, cuja leitura é facil», E 
de fato, com muita * facilidade» vai êle 
resolvendo, com os complexos da Libido, 
o complexo de Edipo, o rancor ao pai, a 
ambivalência de sentimentos e outras coi¬ 
sas, essencial e admiravelmente psico-ana- 
líticas, todas as manifestações espiritas. 
Todas, veja-se bem. 

Antes de analisar, por meudo, o ar¬ 
tigo do ilustrado sr. Bastide, convém as¬ 
sinalar os erros da doutrina, nesse parti¬ 
cular, o que faz supor que todas as de¬ 
mais locubrações dos mestres da Psicanᬠ
lise se revestem dos mesmos enganos. 

Convém notar, desde logo, que os 
imaginosos analistas, substituem com in- 
disfarçável sem-cerimônia, os fatos paten¬ 
tes, insofismáveis, prováveis e probantes 
do psiquismo, pelas suas indemonstráveis 
teorias. A essas teorias, cujo pedestal se¬ 
guro não se sabe onde está, chamam eles 
de ciência, enquanto os fatos da metapsí- 
ca são para êles os romances do incons¬ 
ciente ; tudo provém das vegetações que 
se alastram pelos fundalhos da alma, ve¬ 
getações que êles foram descobrir, por 
uma acuidade especial que nos falha. 

O romance pois, é o nosso. 

Como, porém, nunca vimos os da¬ 
dos positivos em que se fundam as suas 
conjeturas, e, pelo contrário, o que no¬ 
tamos é que os fatos os desmentem, so¬ 
mos levados a crer que se trata de uma 
ciência dogmática, de cujos segredos são 
detentores, apenas, alguns privilegiados. 

Há a considerar, mais, que os prin¬ 
cípios da doutrina se devem figurar indis¬ 
cutíveis aos novos levitas, visto que, em 
regra não descem a nos explicar as dúvi¬ 
das, mormente quando as firmamos em 
provas concretas. E’ bem de ver que os 
axiomas não se discutem. Eles se limitam, 
então, do alto em que se colocam, a la¬ 
mentar, talvez, a nossa pequenez inte¬ 
lectual. 

Mas isto que poderá parecer um 


gesto de alta superioridade, não passa de 
um gesto de alta prudência, porque, ab¬ 
solutamente inscientes na matéria, a cons¬ 
ciência ou subconsciência lhes está a di¬ 
zer que êles se embrulhariam completa¬ 
mente se se metessem pelos difíceis ou 
desconhecidos caminhos da explicação. 

Vejamos, agora, aquêles axiomas do 
ponto de vista que nos interessa, e va¬ 
mos ao eminente chefe dos postulados. 
Na obra de Freud — O Futuro das Reli¬ 
giões, encontramos o seguinte : 

«Os espiritistas, que se declaram 
convencidos da perduraçao da alma in¬ 
dividual e nos querem demonstrar êste 
princípio da doutrina religiosa, não 
conseguem, por desgraça, rebater vito¬ 
riosamente a objeção de que todas as 
aparições e manifestações de seus espí¬ 
ritos não são mais que produtos de sua 
própria atividade psíquica. Têm evoca¬ 
do o espírito dos grandes homens e dos 
mais eminentes pensadores, porém to¬ 
das as manifestações e todas as notícias 
por êles obtidas são tão simples e tão 
desconsoladoramente vazias, que o mais 
que podem provar é uma singular ca¬ 
pacidade dos espíritos para adaptar-se 
ao nível intelectual daqueles que os 
conjuram». 

Por êste pequeno trecho se nota até 
onde vão os conhecimentos do Mestre. 
Parece que não será fácil encontrar-se em 
tão curto período errônias de tanta monta. 

Cumpre notar, desde logo, que a 
perduração da alma é assunto de que tra¬ 
ta a parte filosófica ou científica. Mos¬ 
tremos, agora, como é inverdadeira, ab¬ 
solutamente falsa, a afirmativa de que as 
manifestações são produto da própria ati¬ 
vidade psíquica, são desconsoladoramente 
vazias e adaptadas ao nível dos que as 
conjuram. 

Basta-se lêr qualquer descrição de 
um facto, em Metapsíquica, facto de cer¬ 
to valor, e para logo se notará o espan¬ 
toso engano que o professor Freud levou 
aos seus desprecavidos discípulos e trans¬ 
mitiu à posteridade. Exemplifiquemos, à 
vol d’oiseau. 

Por pequena mesa de três pés é in- 









Revista Internacional do Espiritismo 


111 


vocado o espírito de Byron. E o poeta 
responde : 

Vex not the bard } his lyre is broken , 
His last song sung , his last word spoken. 

«Não importune o bardo; está que¬ 
brada a sua lira, cantada a sua última 
canção, dita a sua última palavra». 

Ninguém na mesa sabia inglês. 

A literatura psíquica sobre essa mo¬ 
dalidade do fenômeno — intitulada xeno- 
glossia ou manifestação em línguas estra¬ 
nhas — é vastíssima. Nada disso, porém, 
chegou, algum dia, aos ouvidos do prof. 
Freud, como não chega hoje aos de seus 
seguidores. 

Barkas apresenta a uma senhora, sem 
qualquer cultura científica, várias pergun¬ 
tas, em várias sessões; eram elas ligadas 
aos diversos ramos da ciência, e êle, para 
as formular, ou recorria aos especialistas 
no assunto, ou as estudava prévia e lon¬ 
gamente. Refere o conhecido experimen¬ 
tador : 

«Eis o problema que se apresen¬ 
ta : uma mulher de instrução comum 
deu respostas a diversos assuntos cien¬ 
tíficos, cuidadosamente elaborados no 
decurso de trinta e sete noites, prolon¬ 
gando-se a sessão por três horas de ca¬ 
da vez. Essas respostas são de tal or¬ 
dem que não se encontra um homem 
na Inglaterra que pudesse fazer outro 
tanto». 

Seria preciso estar enfronhado nos 
mistérios da psicanálise para verificar que 
aquilo que, para Barkas, não poderia ser 
reproduzido por ninguém na Inglaterra, 
não passava de um vazio desconsolador. 

Multiplica-se e se espalha pelos anais 
do psiquismo o fenômeno das mensagens 
literárias ou científicas recebidas por pes¬ 
soas sem instrução ou de cultura me¬ 
díocre : 

A uma senhora é transmitida a obra 
universalmente conhecida — A Cabana de 
Pai Tomaz. Ester Dowen, que não é ro¬ 
mancista nem dramaturga, apresenta pe¬ 
ças do Espírito de Oscar Wilde. Chega a 
um mecânico, por via mediúnica, a par¬ 
te final de um romance : era aquilo, nada 
menos, que a continuação da obra de 
Dickens, intitulada Edwin Drood. As duas 
metades se acolchetavam de tal ordem, 
que não se lhes podia descobrir a cisura. 
Buckner aproveita em seus trabalhos cien¬ 


tíficos trechos e passagens de um livro 
intitulado Arcana 0/ Nature. Grande, po¬ 
rém, foi o espanto do filósofo alemão 
quando soube que os extratos provinham 
de um Espírito, que os transmitia a um 
abegão, Hudson Tuttle. Rosemary assom¬ 
bra os egiptólogos e arcaistas ingíêses com 
as suas lições sobre a língua egípcia do 
tempo dos faraós, dos costumes dessa é- 
poca, e ainda porque escrevia naquele 
idioma. Francisco Xavier, entre nós, é o 
conhecido autor psicográfico de versos e 
de prosa de eminentes poetas e escritores 
patrícios falecidos. 


Também não chegaram aos ouvidos 
de Freud que os espíritos se materiali¬ 
zam e que as chapas fotográficas os re¬ 
tratam, e que as balanças os pesam, e 
que vários outros aparelhos lhes demons¬ 
tram a presença; ou então não nos pô¬ 
de explicar por que maravilhosos pro¬ 
cessos do subconsciente um fantasma tan- 
givel, falante, raciocinante pode ser pro¬ 
duto de uma atividade psíquica incons¬ 
ciente, apesar da independência que reve¬ 
la, quer quanto à linguagem, quer quan¬ 
to à fisionomia, quer quanto à inteligên¬ 
cia, quer quanto à vontade... 

Nepenthès, o Espírito que se mate¬ 
rializou diante das maiores sumidades da 
Ncwruega, fazia-se admirar, não só por sua 
beleza física, como pelo saber que apre¬ 
sentava ; falava em grego antigo como 
profunda conhecedora dêsse idioma. 

Os irmãos Eddys, (conforme infor¬ 
ma o céptico dr. Olcott, depois do mi¬ 
nucioso inquérito a que procedeu), pro¬ 
duziam ruídos, movimentos de objetos, 
desenhos a óleo e aquarela sob influência 
espiritual, profecias, falas em línguas es¬ 
tranhas, curas, identificação de espíritos, 
levitação, mensagens escritas, psicometria, 
clarividência e, finalmente, formas mate¬ 
rializadas. E assim nos diz Conan Doyle 
(The History of Spir) : 

«Olcott gives the list thus—rap- 
pings, movement of objects, painting 
in oils and water — colours under in- 
fluence, prophecy, speaking strange ton- 
gues, healing, discernment of spirits, le- 
vitation, writing of messages, psycho- 
metry, clairvoyance, and finally the 
production of materialised forms». 






— 112 - 


Revista Internacional do Espiritismo 


Nada disso soube o grande Mestre 
vienense, nem disso têm conhecimento os 
seus admiradores. Nem mesmo, ao que 
parece, tiveram alguma notícia de fenô¬ 
menos mais divulgados, que andam na 
boca de cientes, inscientes e inconscientes, 
como os de Eusápia Paladino, os de Dun- 
glas Home, os de Florence Cook. . . 

Nada, absolutamente nada! Por ma¬ 
neira que não se sabe aí o que é mais de 
espantar, se o vazio das comunicações es¬ 
píritas, se o vazio do conhecimento deles. 

* 

Remexendo nas histórias de sonhos, 
talvez por muito folhear em alfarrábios, 
para chegar às suas famosas teorias, pro¬ 
vavelmente deparou-se a Freud a caudal 
imensa dos fenômenos premonitórios, dos 
sonhos que se realizam. Era preciso re¬ 


mover o calhau, e o Mestre não teve a 
menor dúvida: lançou mais uma teoria— 
a de que o indivíduo pensa que sonhou, 
mas não sonhou; na ocasião em que se 
dá o facto, êle tem a ilusão de que aqui¬ 
lo já lhe ocorrera em sonho. Esqueceu-se 
o Mestre, apenas, de que se acham regis¬ 
trados milhares de factos, os mais docu¬ 
mentados de toda a fenomenologia meta- 
psíquica, em que os sonhadores narram 
os sonhos antes do evento. 

E aquela blague veio inscrever-se en¬ 
tre as extraordinárias descobertas psico- 
analíticas. 

Em suma : se Freud e seus discípu¬ 
los põem sistimaticamente e sencerimo- 
niosamente os factos de lado, não o po¬ 
demos fazer nós. Veremos, agora, como 
os pôs também o muito ilustrado sr. Bas- 
tide. 


(e) Fenômenos de Materialização G) 

v 


Dezessete foi o número de con¬ 
frades reunidos no «André Luiz» no 
dia dez do mês em curso, num dia 
de terça-feira, em sessão de trata¬ 
mento espiritual em benefício de vᬠ
rias pessoas enfermas, especialmente 
das nossas irmãs Euridice e Lais, 
presentes aos trabalhos. À Lais havia 
sentido sensíveis melhoras na 
sessão anterior e D. Euridice tam¬ 
bém se lhe tinha assentuado uma me¬ 
lhoria valiosa, tanio assim que já 
poude vir, com seus próprios pés, re¬ 
ceber no recinto dos nossos traba¬ 
lhos, a assistência dos nossos irmãos 
superiores do Espaço. Na presente 
reunião a Lais achou sua cura radi¬ 
cal e a outra companheira nossa já 
está quasi restabelecida por comple¬ 
to. À presidência da reunião esteve 
a meu cargo, tendo-a iniciado com 
uma prece. Um dos nossos amigos 
do Além dá-nos explícita orientação, 
através da mediunidade sonambúiica 
do médium Lins. Êste recolhe-se, em 
seguida, à cabine, e o ambiente se 
estabelece pela prece, pela medita¬ 
ção, pelo canto de suaves hinos e 
por ligeiros comentários evangélicos. 
Surgem várias irradiações de luz na 
penumbra feita no recinto. Nina apre¬ 


senta-se-nos materializada. David su¬ 
cede àquela entidade, vindo à assistên¬ 
cia e distribuindo cravos naturais aos 
presentes. A primeira pessoa contem¬ 
plada foi a minha irmã Madalena, 
que recebe carícias do dedicado es¬ 
pírito, que foi nosso pai nesta exis¬ 
tência. Todas as vezes que a queri¬ 
da entidade voltava da cabine vinha 
junto à Madalena tocando-a, dando- 
lhe passes e passando-lhe flores pelo 
rosto, fazendo-a transbordar de júbi¬ 
lo e emoção. Quasi todas as pessoas 
presentes receberam cravos de várias 
cores, de Nina e David. O ]osé fála- 
nos, por voz direta e joga-nos uma 
pedra. Nina pede-nos para que can¬ 
temos o hino «Entardecer», que ela 
acompanha em côro. David orienta- 
nos sôbre o estado de saúde de duas 
pessoas doentes, a nosso cuidado, 
uma das quais se encontra em Por¬ 
tugal. O Jacks faz-lhe perguntas inte¬ 
ressantes a que o espírito responde 
com precisão e clareza, em palavras 
repassadas de doçura e carinho. Os 
conhecidos espíritos de Abel Gomes 
e Scheila, aparecem simultaneamente 
materializados no ar. O Dr. João Pas¬ 
sos, aparece-nos materializado à en¬ 
trada da cabine, do lado esquerdo. 








Revista Internacional do Espiritismo 


- 113 — 


José Grosso ainda nos enJretem com 
palavras cheias de graça e meiguice. 
Abel Gomes aparece, agora, mate¬ 
rializado, vendo-se ao seu lado es¬ 
querdo, o busto respeitávei do vene¬ 
rando espírito de Batuira, numa ma¬ 
terialização parcial, aparecendo só¬ 
mente o seu rosto com a sua respei¬ 
tável barba irsuta. Scheila faz uma 
prece, por meio de voz direta, avi¬ 
sando, em seguida, de que deveria¬ 
mos encerrar os trabalhos. Já o nos¬ 
so companheiro Inácio se achava na 
cabine a dar o passe no médium e a 
despertá-lo e ainda se onviram níti¬ 
das vozes, apresentando-se uma luz 
forte, de cor escarlate. Fiz a prece 


final, encerrando os trabalhos. O A- 
bel havia-nos deixado uma luva de 
parafina. O José tentava presentear- 
nos com o modêlo de uma das suas 
mãos; porém não deixou, senão par¬ 
le do seu trabalho, por ter a parafi¬ 
na esfriado, por falta de energia elé¬ 
trica. Procedeu-se então à repesa- 
gem dos assistentes, tendo perdido 
peso os seguintes companheiros: eu, 
um quilo; Peixoto, um quilo; Dr. Le- 
vindo, meio quilo; Dr. Alfredo Cruz, 
um quilo; o Jacks, dois quilos. 

Rio, 15—12—946. 

Amadeu Santos 


■6 







J ESUS chamou os discípulos e 
recomendou-lhes : «ide e pre¬ 
gai, dizendo, é chegado o rei¬ 
no dos céus, curai os enfêr- 
mos, limpai os leprosos, ressuscitai os 
mortos, expulsai os demônios; dai de 
graça o que de graça recebestes; 
não possuais ouro, nem prata, nem 
cobre em vossos cintos, nem alforges 
para o caminho, nem duas túnicas, 
nem alparcas, nem bordão, porque 
digno é o operário do seu alimento.» 

Esta exortação leva-nos a crêr 
que os verdadeiros seguidores de Je¬ 
sus são apenas aqueles que agem de 
acordo com essas recomendações, 
mesmo porque disse ainda, «não são 
aqueles que dizem senhor, senhor, — 
que entrarão no reino de Deus, mas 
aqueles que fazem a vontade de meu 
Pai que está nos céus». E que von¬ 
tade é essa ? E’ bem simples, se Je¬ 
sus disse, eu o Pai somos um, claro 
está que a sua Doutrina é divina e a 
recomendação aos discípulos é a von¬ 
tade de Deus. 

Nós espíritas não devemos nos 
afastar dêsse pensamento e assim, to¬ 
do o nosso esforço deve ser no sen¬ 
tido de praticar tudo o que êle acon¬ 
selhou aos seus discípulos, se dese¬ 
jamos realmente ser considerados tra¬ 
balhadores da seára do Senhor. 


Infelizmente, porém, a maior par¬ 
te dos nossos confrades em vez de 
seguirem as pègadas do Mestre per¬ 
dem tempo com assuntos que causam 
o mal, a discórdia, a descrença, o 
ridículo. 

Confrades respeitáveis, encane¬ 
cidos na luta da propaganda des¬ 
viam-se pelos atalhos do êrro para 
discutir no desejo de impôr suas opi¬ 
niões, que certas ou erradas se tor¬ 
nam antipáticas pelo modo um tanto 
insolente como são apresentadas. 

Já temos dito que o conceito da 
religião depende do entendimento e 
sentimento de cada um. E’ preciso 
razão iluminada para entender, co¬ 
ração cheio de amor para sentir. 
Sem compreender a fé é céga e le¬ 
va fatalmente ao fanatismo, sem a- 
mor não haverá fraternidade, tolerân¬ 
cia e nos tornamos exclusivistas. 

Se a religião depende de enten¬ 
dimento e sentimento individual, é ló¬ 
gico que, estando cada ^uin de nós 
num degrau diferente da infinita es¬ 
cala da evolução, não poderá haver 
duas pessoas que creiam e pratiquem 
a religião do mesmo modo. Isso a- 
contece no meio católico, protestante 
como no espírita. Após uma sessão 
prática as oniniões variam de acor¬ 
do com o número dos componentes 












- 114 


Revista Internacional do Espiritismo 


da mesma. Se êle tiver se realizado 
com dez pessoas, teremos dez opi¬ 
niões. Cada um julgará os fenómenos 
a seu modo. O que um aceitar por 
completo, outro apenas aceitará em 
parte, enquanto um confia com segu¬ 
rança num médium, dois ou três du¬ 
vidam. 

Eis porque, até agora, nenhum 
confrade ainda nos viu empenhado 
em polêmicas, especialmente com 
confrades, pois a nosso ver as dis¬ 
putas entre nós não trazem luz e sim 
trevas. 

Ultimamente revivem com insis¬ 
tência o assunto do corpo fluídico de 
Jesus. Que interessa ao homem para 
praticar o bem, saber se Jesus viveu 
em corpo fluídico ou semelhante ao 
nosso ? Disso poderá porventura de¬ 
pender a sua norma de proceder? Não. 

Muitos confrades, ao transporem 
os humbrais do outro mundo, compa¬ 
recem sôfregos e angustiados às ses¬ 
sões para revelar suas profundas 
amarguras e decepções ao chegarem 
no país da verdade. Todos falam aca¬ 
brunhados, repetindo... se eu sou¬ 
besse ... Mas todos sabiam perfeita¬ 
mente, a vaidade foi que os perdeu. 

Por vezes ficamos a fazer con¬ 
jeturas e a nossa imaginação forma 
quadros interessantes, vejamos um 
dêles. 

O espírita Anastácio desincarna 
e satisfeito dirige-se ao tribunal. Eis- 
me aqui Mestre Jesus, fui um dedica¬ 
do à causa da Nova Revelação, ser¬ 
vi como médium, fui pregador e jor¬ 
nalista e não perdi tempo como se¬ 
meador. 


Jesus olha carinhosamente e per¬ 
gunta-lhe, quantas vezes vestiste os 
nús? quantos enfêrmos curaste? quan¬ 
tas lágrimas enxugaste? quantas dis¬ 
córdias evitaste? quantas vezes per¬ 
doaste ? 

E o Anastácio espantado ... res¬ 
ponde sentindo aflições porque co¬ 
meça a compreender a verdade. 

Senhor, não tive tempo, na an- 
sia de pregar, de escrever, principal¬ 
mente os pontos obscuros, descuidei- 
me dessa tarefa. Queria que todos 
conhecessem a tua vida, sobretudo, a 
tua natureza, o teu corpo e com isso 
até, desgostei muitos amigos e até 
protetores invisíveis. 

Ah! meu amigo, que devemos 
procurar saber melhor a forma ou a 
essência ? O que interessa, o corpo 
ou a alma ? O que vale mais a pa¬ 
lavra ou o sentimento ? 

E o Anaslácio sentiu-se tão pe¬ 
quenino, tão triste que chorou de ar¬ 
rependimento. 

Quantos quadros assim devem 
constituir uma pura realidade ? 

Os que desejam ser classifica¬ 
dos como verdadeiros discípulos de 
Jesus, devem dedicar-se por comple¬ 
to à tarefa de beneficiar os seus se¬ 
melhantes, sem perder tempo com 
aquilo que não traga proveito. 

As polêmicas tem as suas van¬ 
tagens e por isso não devem ser con¬ 
denadas. E’ mister que esclareçam 
sem dividir, que instruam sem impo¬ 
sições, que iluminem sem ironia, que 
não sirvam de pretexto para demons¬ 
trações de vaidade. 


Coleções da «Revista Internacional do Espiritismo» 

Encadernada em costaneira de couro: 


Do 2.° ano Cr. $50,00 
Do 6.° ano . . 50,00 
Do 10.° ano . . 50,00 
Do 13.° ano . . 60,00 
Do 16.° ano . . 80,00 
Do 19.° ano . . 60,00 


Do 4.° ano Cr.$ 50,00 
Do 7.° ano . . 50,00 
Do 11.° ano . . 60,00 
Do 14.° ano . . 60,00 
Do 17.° ano . . 60,00 
Do 20.° ano . . 60,00 


Do 5.° ano Cr.$ 50,00 
Do 8.° ano . . 50,00 
Do 12.° ano . . 60,00 
Do 15.° ano . . 70,00 
Do 18.° ano . . 60,00 
Do 21.° ano . . 60,00 







Rgyista Internacional do Espiritismo 


115 — 



— XII — 


O dr. Jerger conta-nos, sincera- 
mente, o seguinte : Uma cliente a se 
queixar de barulhos ensurdecedores 
na cabeça, como si estivesse ouvin¬ 
do uma serraria. E êle anestesiou-a 
simulando uma operação. A doente 
ficou radicalmente curada quando êle 
lhe apresentou uma bacia cheia de 
serradura de madeira, que garantia 
ter sido extraída do interior de seu 
cérebro tão crédulo... Mas o essen¬ 
cial estava realizado : À doente sa¬ 
rou... 

Hoje em dia já se fala em cho¬ 
ques elétricos para a obtenção da 
cura de melancolias nervosas. 

Na idade média todos os doen¬ 
tes mentais eram julgados possuídos 
por màus espíritos, demônios, como 
ainda o são hoje pelo Espiritismo in¬ 
compreendido e péssimamente prati¬ 
cado. 

«O espiritismo que, em suas rai¬ 
zes, é tão velho como a humanidade 
e se baseia essencialmente na cren¬ 
ça da comunicação entre os espíri¬ 
tos dos vivos e dos mortos, recebeu 
a primeira sistematização doutrinária 
com o pensador francês Allan Kardec 
(1Ô03-1Ô69), em obras que tiveram 
propagação mundial. Apesar-de mui¬ 
to conhecida no Brasil através da 
prática e do culto, de muito popula¬ 
rizado mesmo nas classes incultas a- 
través do chamado baixo espiritismo, 
poucas pessoas têm a noção exata 
do que seja a doutrina espírita, nos 
seus fundamentos teóricos e na con¬ 
cepção filosófica de que parte», são 
palavras bastante autorizadas e opor¬ 
tunas de Almir de Andrade, no apênd. 
79, pag. 1ô0 do VIU volume de «A 
ciência da vida» que traduziu de Wel- 
les e Huxley. 

Tudo isso se verifica por falta 
de estudo, má fé, interesses inconfes¬ 
sáveis, ignorância de seus princípios 
basilares, pelos que se alvoram di¬ 
retores e presidentes das entidades 
espíritas, que confundem animismo 
com espiritismo, mediunidade com 
histerismo, porque não têm um co¬ 


nhecimento «aprofundado do homem, 
da sua fisiologia, das suas nevroses, 
da sua aptidão para a mentira, da 
sua susceptibilidade à sugestão, da 
sua habilidade para a prestidigita¬ 
ção.» 

Naqueles velhos tempos, diz o 
dr. Gordon Garbedian, «os próprios 
homens de medicina, vestiam-se fan¬ 
tasticamente na péle dos mais hor¬ 
rendos animais e dansavam em tor¬ 
no da vítima possuída do mal, intei- 
ramenie despida, clamando aterrori- 
santes exorcismos. Estirado de cós- 
tas no chão, o paciente desampara¬ 
do era submetido a uma sóva vigo¬ 
rosa e depois forçado a sorver as 
mais repugnantes beberagens que se 
podiam imaginar, na firme crença de 
que os maus espíritos achariam êsse 
extraordinário tratamento ainda mais 
terrível do que o próprio paciente 
flagelado! 

Afim de facilitar essa partida, a- 
bria-se uma passagem aos demônios, 
morcegos, serpentes e outros mons¬ 
tros, por meio de uma operação que 
consistia cavar um buraco no crânio 
do dasgraçado. Si apesar de tudo is¬ 
so os maus espíritos se recusavam a 
deixar o corpo do possesso, era cos¬ 
tume, mesmo ainda no século dezoi¬ 
to, queimar na fogueira as infelizes 
vítimas da insânia e de outras enfer¬ 
midades mentais, como «feiticeiras».* 

Isso acontecia si o paciente re¬ 
sistia ao bárbaro, cruel e brutal tra¬ 
tamento de esconjuração. 

Até 1Ô53 na Torre dos Lunáticos 
de Viena, os loucos eram exibidos 
em jaulas aos visitantes que paga¬ 
vam entradas para vê-los! 

Não resta a menor duvida de 
que a ciência tem feito muito em fa¬ 
vor dos doentes mentais. Amídalas e 
adenóides infectados, dentes caria¬ 
dos, apêndices inflamados, são ou¬ 
tros responsáveis por moléstias ce¬ 
rebrais. 

Conta Bertrand Russel que cer¬ 
ta vez um homem foi visita-lo, de- 














- 116 - 


Revista Internacional do Espiritismo 


clarando lhe que admirava profunda¬ 
mente a sua filosofia, mas não con¬ 
cordava com a afirmação de Russel, 
em que declarava que Júlio César 
havia morrido. Russel pergunta-lhe 
amavel e surprêso porque êle não 
aceitava êsse facto como verdadei¬ 
ro. E o visitante responde : — Porque 
Julio César sou eu !... Enquanto o vi¬ 
sitante tomava ares de importância 
para confirmar suas palavras, Russel 
voava para a rua em procura de um 
policial. 

Este é um caso típico de esqui¬ 
zofrenia em que o cérebro funciona 
«como um carrilhão tocado sem com¬ 
passo nem melodia.» 

Conhece-se com abundância de 
detalhes como o cérebro funciona. 
«Mas a explicação do processo neu¬ 
rológico de decorar, esquecer, pen¬ 


sar, sentir, do condicionamento dos 
reflexos e da associação das idéias, 
continua enigmática.» 

Os mecanistas de um lado, acre¬ 
ditando no determinismo psicológico 
de Watson e Ereud e seus seguido¬ 
res do outro, mais confundem do que 
elucidam a vida mental e espiritual. 

Já se descobriu clorina no líqui¬ 
do cérebro espinhal de loucos e já 
se chegou a conclusão de que o cé¬ 
rebro de um anormal contém exces¬ 
so ou deficiência de determinados 
compostos químicos. 

No caso de demência precoce 
já se sabe também que são as glân¬ 
dulas de secreção internas, as prin¬ 
cipais responsáveis, havendo curas 
com a simples aplicação de iodina 
composta ou tiroxina, hormônio da 
tiróide. 


0 ESPIRITO CRIANÇA 


B. CHÂGÂS 




— I — 


OM o surgir no mundo a No¬ 
va Revelação trazida pelos 
ensinos dos espíritos, forne¬ 
cendo a prova da sobrevivên¬ 
cia, da imortalidade da alma 
e do seu destino, após a mor¬ 
te do corpo somático, a Hu¬ 
manidade poude, então, respirar aliviada 
por haver se libertado do terrível pesa¬ 
delo das superstições e dos fantasmas do 
passado. 

O moderno espiritualismo não sur¬ 
giu como uma nova religião, iguais as 
que conhecemos na antiguidade. Mas, apa¬ 
receu no mundo como um faról a ilumi¬ 
nar consciências, porque é uma crença 
baseada em factos reais e palpáveis; que 
se desenvolve e progride com a humani¬ 
dade, no sentido de unir todas as criatu¬ 
ras, incutindo-lhes no ânimo uma concep¬ 
ção mais ampla de Deus, das coisas e 
das suas responsabilidades de espírito en¬ 
carnado. 

Nela aprenderá a compreender o Sêr 
Supremo, autor de tudo e de todas as 
coisas. O homem não se considerará mais 
como um autômato ou um joguete ás 
mãos do Destino. No seu ego despertarão 
os gérmes de amor e de bondade, que 
a mão divina lhe depôs no íntimo, por¬ 


que lhe será dado conhecer uma religião 
verdadeira, que não maldiz das demais, 
porque paira acima de todas. 

Iniciado o homem nos mistérios do 
além túmulo, uma tranquila paz descerá 
sôbre o seu espírito e êle poderá, então, 
observar as cousas sob outros prismas, 
porque mistér se fazia que conhecesse o 
lugar verdadeiro que deveria ocupar no 
Universo e a fraqueza dos seus sentidos 
em face da grandeza da Creação. 

A Ciência, até certo ponto, atenuou 
essa deficiência. O telescópio descerrou 
ao seu olhar os abismos do Infinito. O 
microscópio revelou o infinitamente pe¬ 
queno. A vida apareceu por toda parte 
no mundo dos infusórios. 

O problema principal, e que dizia 
mais de perto com a sua própria vida, 
aquêle que desde todas as épocas, o preo¬ 
cupava numa inquietante expectiva, qual 
seja o destino ria sua alma, após a mor¬ 
te do corpo, êsse continuava insolúvel 1 

Várias suposições empolgavam as 
criaturas. Será o homem comparável a 
uma lira, e a sua alma à harmonia dessa 
lira, harmonia que não existe mais quan¬ 
to esta lira se parte ? Não será a alma 
senão a resultante do jôgo dos órgãos f 
Ou será o motor indestrutível e mistério- 











Revista Internacional do Espiritismo 

' 

so que aciona esses mesmos órgãos ? 

O advento do Espiritismo veiu fa¬ 
zer luz sobre todas essas suposições, fa¬ 
zendo ruir por terra todas as teorias con¬ 
traditórias sobre o destino do sêr no além 
túmulo, dizendo que depois da dissolução 
do corpo o Eu continua a sua existência. 
Sai dêle revestivo do perispírito. Conti¬ 
nuam a ver-se sob a fórma que tinham 
antes de morrer e esta visão, nalguns, 
produz, durante certo tempo, singular ilu¬ 
são : a de se crêrem ainda vivos. (L 1 V. 
MED. n.° 53) 

Como é do conhecimento dos espí¬ 
ritas esclarecidos, o nosso corpo físico 
constantemente se renova, estando sub¬ 
metido a constantes mutações. Nenhum 
dos átomos atuais da nossa carne, persis¬ 
te. O nosso corpo todos os dias assimila 
novos elementos; desde as partes moles 
do cérebro até as mais duras parcelas da 
carcassa óssea, tudo se renova integral¬ 
mente em um certo número de anos. Sub- 
; siste, todavia, uma fórma fluídica original 
que se mantém e perpetúa. E’ o perispí¬ 
rito, o esboço fluídico do sêr humano, um 
como que molde. O perispírito é o invó¬ 
lucro permanente do espírito, enquanto o 
corpo físico não passa de um invólucro 
temporário. O perispírito existia antes do 
nascimento e sobrevive à morte. 

Gabriel Delanne que muito se inte¬ 
ressou pelo estudo do corpo fluídico, che¬ 
gou a concluir que o perispírito é um 
verdadeiro organismo fluídico, um modêlo 
em que se concreta a matéria e se orga¬ 
niza o corpo físico. E’ êle — diz Delanne 
—que dirige automaticamente todos os 
atos que concorrem para a manutenção 
da vida. 

E’ esse modêlo, êsse «invisível dese¬ 
nho ideal pressentido por Claude Bernard » 
que mantém a estabilidade do sêr no 
meio da renovação integral da matéria or- 
ganizada; sem êle a ação vital poderia 
tomar todas as fôrmas, o que não se ve¬ 
rifica. E igualmente de acordo com êsse 
modêlo fluídico perispirital que é regulada 
a evolução embrionária do sêr até a sua 
organização completa. 

Diz Allan Kardec, em a GÉNESIS 
— «que os espíritos teem um corpo fluí¬ 
dico a que se dá o nome de perispírito. O 
perispírito não é encerrado no corpo co¬ 
mo numa caixa — acrescenta. Êle é ex¬ 
pansível por sua natureza fluídica, irra¬ 
dia-se e fórma em tôrno do corpo uma 


— 117 — 


espécie de atmosféra, que o pensamento 
e a fôrça da vontade podem ampliar mais 
ou menos. E’ por meio do perispírito que 
os Espíritos agem sobre a matéria inerte 
e produzem os diferentes fenômenos das 
manifestações, e assim agindo sôbre a ma¬ 
téria, podem manifestar-se de muitos mo¬ 
dos diferentes. 

Quando um Espírito se mostra, é 
porque quis que o seu perispírito viesse 
ao estado de poder ser visto. Podendo to¬ 
mar todas as fôrmas, valendo-se do con¬ 
curso da sua vontade, o Espírito apresen¬ 
ta-se sob a que melhor póde fazè-lo co * 
nhecido, se êsse fôr o seu desejo. 

Tanto que, apesar do Espírito não 
conservar as enfermidades corpóreas, êle 
se apresenta aleijado, côxo, ferido com 
cicatrizes, se isso fôr necessário para pro¬ 
var a sua identidade. O mesmo quanto 
ao traje. (pags. 15, 16 e 18). 

No LIV. DOS ESPÍRITOS, o Co¬ 
dificador fez aos seus instrutores, a se¬ 
guinte pergunta : — «Como prova a alma 
a sua individualidade, uma vez que não 
tem mais corpo material?» E recebeu a 
seguinte resposta : — «Continua a ter um 
fluido que lhe é próprio, haurido na at¬ 
mosféra do seu planeta, e que guarda a 
aparência de sua última incarnação : — 
seu perispírito *. 

Mesmo no seio da Igreja era supo¬ 
sição corrente de que a alma ou espírito 
não poderiam existir sem corpo algum, 
mas que possuíam uma espécie de corpo, 
ou alguma coisa análoga a um corpo que 
certas pessoas denominam o seu veículo. 
(Obras de Santo Agostinho). 

Tertuliano declara que a corporali- 
dade da alma é afirmada pelos Evange¬ 
lhos : « Corporalitas animae in ipso Evan¬ 
gélico relucescit , porque escreve êle—se a 
alma não tivesse um corpo «a imagem da 
alma não teria a imagem dos corpos» 
(De anima). 

Compreende-se, pelo que foi trans¬ 
crito acima, embora o espírito desencar¬ 
nado possúa a faculdade de alterar a fór¬ 
ma do seu perispírito, que é claro e ló¬ 
gico que êle conserve sempre a fórma da 
última encarnação. Quando, porém, pela 
sua evolução nada mais conservem das 
misérias terrenas, constitúe o seu perispí¬ 
rito, o mais comumente, de uma túnica 
de longas pregas flutuantes e uma cabe¬ 
leira ondeante e graciosa. 

(Continua). 







Revista lntfcnn*ciori*l doBspirtnsmo 


- 118 

I Livros e Autores I 


NOS DOMÍNIOS DO BEM-Her- 
val e Carmo Bianco. S. Paulo. 

A obra em cita, é uma brochura 
graficamente bem apresentável, com 190 
páginas, papel bufon, que nos vem de S. 
Paulo, por deferência do médium Carmo 
Bianco, cuja dedicatória agradecemos. 

E 5 dividido em duas partes: a pri¬ 
meira sobre «a vida extraordinária de 
Anesio Siqueira, notável médium cura¬ 
dor». A segunda parte: Mensagens Me- 
diúnicas, recebidas pelo médium que no-la 
ofertou. Mergulhamos os olhos no volu¬ 
me, a procura de um Anesio Siqueira 
diferente daquele conhecido, quando dis- 
tribuia «milagres» aqui em Campo Gran¬ 
de. E noticias de jornais, discussões na 
imprensa e artigos em torno e sobre o 
médium fomos lendo, até chegarmos á 
página 61 do volume com que os com¬ 
ponentes do «Circulo Espiritualista Ane¬ 
sio Siqueira» dão-se por desobrigados do 
preito de reconhecimento ao patrono. 
Não vimos no volume o mais desabusado 
dos ataques ao médium, que foi a do Pe. 
Gabriel Hiram, de Cruzeiro. E a defesa 
dp médium, que, então, fizêramos pelas 
colunas do jornal A Naçao, grande ma¬ 
tutino carioca, que deixou de circular. 
Depois é que conhecemos pessoalmente 
o médium, quando esteve em Nova-Iguas- 
sú, atraindo para o centro uma legião de 
doentes do corpo e do espírito. Vale di¬ 
zer, a bem da verdade, que Anesio Si¬ 
queira aqui nada realizou, não correspon¬ 
deu á expectativa, deixou uma impressão 
geral desfavorável: já pela falta de pro¬ 
dígios, já por seu desconhecimento geral 
da Doutrina Espírita e do Evangelho do 
Cristo; quer pela maneira grosseira com 
que se dirigia aos espíritos, que se mani¬ 
festaram, ameaçando-os e descompondo- 
os a fumar ostensivamente durante os tra¬ 
balhos, quer pela ausência total da sim¬ 
plicidade cristã com que era êle apresen¬ 
tado, através da Imprensa profana e es¬ 
pírita. Tanta foi a decepção de todos, 
que a mesma pena que o defendera dos 
ataques do Pe. Hiran, disse pelo Raio de 
Luz, de suas impressões desfavoráveis, que 
o Espiritismo não precisa de entusiasmos 
fáceis, de sublimação ou canonização de 
espiritistas e médiuns para se propagar, 


de vez que êle «irá com os homens, sem 
os homens e a pesar dos homens» . . . 

Duas coisas porém é possível que 
se houvessem dado — pois tudo é possí¬ 
vel na vida — para justificativa do fra¬ 
casso de Anesio Siqueira entre nós, em 
Iguassú : que bom fosse êle e desmerece- 
dores de suas graças fossemos nós, com 
os 130 doentes, — menos nós, felizmente! 

— que o procuraram inutilmente aqui. 

E que, depois disso, para dian¬ 
te, êle, realmente, fizesse jus á glori¬ 
ficação que depois se lhe emprestou ; a 
aureola da santidade que hoje se lhe con¬ 
fere. Ainda bem que nos lembramos de 
que lhe aconselhámos se aproximasse, pe¬ 
lo estudo, do Evangelho do Cristo, que 
desconhecia absolutamente e das obras 
de Kardec, que as ignorava. 

Se, de resto, êle não tivesse, poste¬ 
riormente, realizado algo que o acredi¬ 
tasse perante a consciência de muitos ir¬ 
mãos seus de convicções doutrinárias, cer¬ 
tamente não se lhe tributaria a distinção 
sincera de que o livro é portador. 

A outra parte, comunicações me- 
diúnicas, sómente. 

Somos — confessamos mais uma vez 

— um frigidissimo «S. Tomé» para em¬ 
prestar crédito a quanta coisa aparece 
por aí como comunicações do Além. Mor¬ 
mente se tais comunicações se enfeitam 
com subscritores famosos, que foram gran¬ 
des nomes na terra. Preferimos, em tal 
caso, recusar 99 delas, verdadeiras, a acei¬ 
tar uma só falsa. Aliás, a conselho do 
Codificador, que diz claramente ninguém 
pense é o fenômeno espírita a melhor 
maneira de propagar o Espiritismo. Não 
é. Antes, serve mais de descrédito, do 
que de propaganda. Pois se, a mais das 
vezes, nem a espiritas mesmo, que é o 
nosso caso, interessam, quanto mais a cep- 
ticos e agnósticos. De resto, o Espiritis¬ 
mo já avançou tanto que, para nós, sua 
propaganda atual,- mais eficiente e im¬ 
pressionante, não é a mediúnica pura¬ 
mente, mas a da obra, a da cristianiza¬ 
ção, pelos exemplos e pelas obras, dos 
espíritas, afim de que, por êste meio, pos¬ 
sam impôr-se ás massas! Esta, uma das 
características do programa do Espiritis¬ 
mo de Vivos, que andamos pregando e 
procurando exemplificar. 





Revista Internacional cio Espiritismo 


119 — 


As mensagens da segunda parte do 
volume, todas assinadas a grandes nomes, 
desde D’Anunzio a Delane,—e são 371 — 
nenhuma, da meia duzia que lemos ao a~ 
caso para justificativa do que aqui dizemos, 
nos transmitiu nada de original, de pon¬ 
derável, de novo. 

Todas, no mesmo estilo, na mesma 
linguagem, a repetir conceitos, observa¬ 
ções. 

Nem por isso deixamos de louvar o 
esforço e a bondade do editor da obra 
que, se a publicou foi, naturalmente, com 
os própositos puríssimos de ser util ao 
próximo, de servir a Doutrina que nos 
irmana, de propagar o Espiritismo. 

Só por isso, «Nos Domínios do 
Bem» deve ser lido e apreciado. Princi¬ 
palmente pelos que não sentem e não 
pensam como nós. 


MEDIUNIDADE SEM LAGRIMAS 
— 52 LIÇÕES DE CATECISMO ESPÍRI¬ 
TA e O ORADOR ESPÍRITA, de Eliseu 
Rigonati, S. Paulo. 

Somos dos que pensam que os espí¬ 
ritas ainda não sairam de sua fase de adap¬ 
tação ao Espiritismo. Daí, a diversidade de 
métodos na sua pregação; certa negligên¬ 
cia na sua administração pedagógica às 
crianças, a infinita modalidade do empre¬ 
go da mediunidade por aí em fóra. E é, 
entretanto, da prática criteriosa da me¬ 
diunidade ; de sua difusão, por meio de 
escolas bem aparelhadas e de aulas de mo¬ 
ral cristã bem dirigidas às crianças, e da 
pregação consciente e esclarecida de seus 
postulados, que ha de decorrer a implan¬ 
tação, em bases sólidas e definitivas, da 
Doutrina Espírita. 

Não faltam médiuns por aí em fóra. 
Mormente, médiuns vangloriosos de co¬ 
municações bonitas, enfeitadas a nomes 
respeitáveis, subscrevendo-as. Mas, o certo 
é que poucos são, ainda, os médiuns que, 
por bem conhecerem e sentirem a Dou¬ 


trina, orientam bem sua mediunidade, 
ajustados às normas cristãs. 

Já se contam, por aí em fóra, mui¬ 
tas escolas em Centros. Verdade é, entre¬ 
tanto, que são poucas as escolas espíritas 
que funcionam como escolas espíritas , de 
vez que uma escola espírita, ou num cen¬ 
tro espírita, para ensinar, apenas, o a. b. c. 
que se aprende em todas as escolas, não 
está colimando, integralmente, sua alta 
finalidade. 

Ha, com efeito, muita gente que 
prega o Espiritismo. Mas, a verdade é que 
são poucos os pregadores que conhecem 
o que pregam e que o pregam com apu¬ 
ro de linguagem, cultura geral, sentimen¬ 
to e pureza. 

Ora, obras que possam orientar mé¬ 
diuns de bôa vontade, professores de aula 
de moral cristã e prégadores; mormente 
obras em pequenos volumes, sintéticas, 
que se leiam rapidamente, são obras que 
devem ser recebidas a «bem vindas se¬ 
jam ...» 

Eliseu Rigonati é um idealista como 
nós mesmo. Com uma grande diferença : 
tem, ainda, os cabelos pretos e faces sem 
rugas. Mantém, em S. Paulo, uma oficina 
grande. Criou uma empresa editora, a 
Rialto. E imprime um jornalzinho, A IN¬ 
FÂNCIA ESPIRÍTA, que póde ser lido, 
com prazer, por crianças dos seis e dos 
sessenta anos. Já editou três pequeninos 
volumes, mas apreciáveis na substância: 
MEDIUNIDADE SEM LAGRIMAS, 52 LI¬ 
ÇÕES DE CATECISMO ESPÍRITA e O 
ORADOR ESPÍRITA. Vale a pena ler 
seus volumes. Em todos eles, a firmeza 
de observações se harmoniza à pureza da 
linguagem e a seguras normas doutrinᬠ
rias. Em todos eles, o forte desejo do au¬ 
tor, que é também nosso, de que o Es¬ 
piritismo se imponha, realmente, pelo que 
é e o que vale, e não por tanta coisa 
ruim que, em seu nome, se faz, se prega 
e se ensina por aí em fóra. 

Damos por bem pago o tempo que 
destinámos à leitura dos volumes e somos 
profundamente gratos ao autor pela ge¬ 
nerosa oferta que deles nos fez. 


A chamada ciência oficial é limitada pelas suas concepções materialistas, porisso que 
é impotente para solucionar com acerto muitos casos complicados de enfermidades que afli¬ 
gem os indivíduos. O Espiritismo vem alargar 0 campo dos conhecimentos humanos, para 
que a ciência se complete, investigando e cuidando do espírito assim como investiga e cui¬ 
da do corpo, conhecendo que todas as enfermidades partem do espírito. 


TI TOMBO. 







- 120 


Revista Internacional do Espiritismo 


Espiritismo e Loucura 


(Çj^T^TQUELES que estão vendo o 
progresso e o desenvolvimen¬ 
to da propaganda do Espiri¬ 
tismo e não estão satisfeitos 
nem tranquilos com a marcha 
vitoriosa da doutrina, procuram sempre 
criar mil obstáculos e dificuldades para 
evitar que muitas pessoas venham a in¬ 
teressar-se pela filosofia espírita, chegan¬ 
do ao ponto de amedrontá-las, óra com 
o inferno, óra com a loucura. 

Nessas condições costumam insinuar 
às pessoas tímidas que o Espiritismo é um 
factor de loucura e que as sociedades es¬ 
píritas são fábricas de loucos. 

Ora, sabemos, hoje, que as causas 
da loucura estão bem definidas pela psi¬ 
quiatria e são: a hereditariedade, que Tré- 
lat considerava a «causa das causas das 
doenças mentais» ; as infecções, sobretu¬ 
do a sífilis ; as intoxicações, sobretudo a 
alcoólica ; os traumatismos, principalmen¬ 
te os cranianos; causas sociais e emocio¬ 
nais. O Espiritismo, por si só, não póde 
afetar as faculdades mentais. 

Nada há na doutrina espírita que 
possa provocar a loucura. Muito ao con¬ 
trário, ele bem compreendido e sentido, 
é um antídoto da loucura. Esta, em 
regra geral, provêm das vissicitudes, das 
desilusões e decepções da vida, dos sofri¬ 
mentos físicos e morais, que sempre nos 
amarguram. A doutrina espírita explica- 
nos racionalmente a razão de ser das nos¬ 
sas dores e infortúnios, dá-nos uma con¬ 
cepção bem elevada da vida e faz-nos ver 
todos acontecimentos de um plano mais 
elevado, de modo que eles não nos atin¬ 
jam seriamente, não nos preocupem e 
muito menos nos perturbem. 

Encaramos todos esses acontecimen¬ 
tos como resultado dos nossos atos e do 
nosso passado, porquanto foi no passado 
que preparámos o presente e é no pre¬ 
sente que estamos preparando o futuro. 
Sabemos que muitos sofrimentos, decep¬ 
ções e dissabores, que estamos, no mo¬ 
mento, experimentando, são o fruto de 
nossas próprias ações, dos nossos pensa¬ 
mentos e atitudes. 

Repete-se sempre que o homem so¬ 
fre ou goza conforme o uso que fizer da 
sua liberdade. Não esposamos as idéias fi¬ 


losóficas do fatalismo, nem do determi¬ 
nismo. 

Aceitamos a doutrina do livre ar¬ 
bítrio e nela fixamos a concepção da nos¬ 
sa culpabilidade e da consequente res¬ 
ponsabilidade. Ninguém sofre, em prova 
ou em expiação, que não tenha necessi¬ 
dade de sofrer, que não esteja em débito 
para com as leis de Deus. Só o Cristo 
sofreu muito por nós, mesmo inocente, 
sem precisar de resgatar dívidas contraí¬ 
das com as leis da providência. Mas, de¬ 
vemos advertir que Ele não veiu ao nos¬ 
so mundo como um espírito em prova 
ou em expiação. 

Ora, se conhecemos a causa dos 
nossos sofrimentos, se sabemos que é por 
êles que nos purificaremos, e se sabemos, 
também, que devemos ser profundamen¬ 
te resignados e conformados; se sabemos 
que devemos perdoar aquêles que Deus 
colocou em nosso caminho para serem 
instrumentos dos nossos sofrimentos e nos 
porem, à prova, a paciência, e se sabe¬ 
mos, enfim, que precisamos oferecer o 
exêmplo da paciência, da obediência e da 
resignação, pois, como já se disse, com 
muita propriedade, a obediência é o con¬ 
sentimento da razão e a resignação é o 
consentimento do coração, não devemos 
jamais nos abater, nos contrariar, nos en¬ 
tregar ao desespêro, à inquietação, às 
emoções muito fortes, que poderiam afe¬ 
tar as nossas faculdades mentais, pois, re¬ 
conhecemos que é nas vicissitudes, nas 
dores e decepções da vida que encontra¬ 
mos os melhores elementos para nossa 
própria espiritualização, isto é, para a pu¬ 
rificação das nossas almas. 


Já tivemos ocasião de referir-nos às 
causas da loucura, segundo a opinião dos 
mais autorizados psiquiatras, e entre elas 
não encontramos o Espiritismo ou as prᬠ
ticas espíritas. Muitos, visando combater 
o Espiritismo, têm insinuado que as so¬ 
ciedades espíritas são fábricas de loucos 
para amedrontar as pessoas que estão mui¬ 
to seguras de seu equilíbrio mental. 

As causas principais da loucura são; 
— hereditariedade mórbida, as infecções, 






Revista Internacional do Espiritismo 


— 121 — 


a sífilis, as intoxicações, o álcool, os trau¬ 
matismos principalmente cranianos e ou¬ 
tras causas sociais e emocionais. 

O dr. Helio Gomes, catedrático de 
Medicina Legal da Universidade do Bra¬ 
sil, médico materialista, emitindo a sua 
opinião respeitável e autorizada, afirma 
categoricamente que o Espiritismo, por si 
só, não afeta as faculdades mentais de 
pessoa alguma. 

Em seu esplêndido trabalho sôbre a 
prática do Espiritismo e a saúde psíquica, 
o dr. Helio Gomes assegura que qualquer 
pessoa normal da mente, bem equilibra¬ 
da psiquicamente, póde frequentar como 
entender as sessões espíritas, que seu cé¬ 
rebro continuará funcionando normal¬ 
mente. 

E, na verdade, se o Espiritismo cau¬ 
sasse qualquer perturbação mental, se a 
frequência às sessões espíritas afetasse o 
funcionamento normal da mente, consi¬ 
derada a sua imensa generalização no Bra¬ 
sil, o número de doentes mentais nêste 
país deveria ser dez vezes maior do que é. 

O dr. Helio Gomes observa que 
todas as crenças e superstições, quando 
descambam para o fanatismo e misticis¬ 
mo, podem desviar o raciocínio de seu 
curso normal. Resumindo a opinião judi¬ 
ciosa do ilustre médico patrício, vemo-lo 
assegurar com justeza que o Espiritismo 
não produz a loucura. E, mesmo como 
médico materialista, em vez de acusá-lo, 
defende-o, ensinando, com justiça e im¬ 
parcialidade, que a doutrina espírita, em 
seu aspecto filosófico e moral, é mesmo 
benéfica ao equilíbrio psíquico do indiví¬ 
duo, porque age como elemento contro¬ 
lador das grandes emoções e agitações da 
vida cotidiana, estimulando, ainda, hábi¬ 
tos saudáveis e abstêmios. 

O Espiritismo sacia a sêde humana 
de duração, de eternidade e faz o indiví¬ 
duo conformar-se com as inevitáveis di¬ 
ferenças da vida e com a injustiça social. 
Ora, do que estamos expondo é muito 
fácil concluirmos que, longe de provocar 
desequilíbrio mental nas pessoas, êle, ao 
contrário, oferece elementos de perfeito 
ajustamento psíquico, estimulando, pelas 
doutrinas filosóficas e morais que nos en¬ 
sina, o perfeito funcionamento das facul¬ 
dades mentais. 

Estamos referindo-nos ao Espiritis¬ 
mo verdadeiro e nunca ao falso, que se 
tem denominado — macumba, catimbáu, 
xangô e que, no Sul do país, muitos es¬ 


tão procurando estilizar-lhes as práticas 
nocivas, com as denominações modernas 
de umbandismo e quimbandismo, dando 
lugar a essa enorme confusão reinante en¬ 
tre nós, graças à qual muitas pessoas qua¬ 
lificam essas práticas de baixo-espiritismo, 
quando, na realidade, elas deveriam cha¬ 
mar-se falso Espiritismo. Não há, meus 
carissimos leitores, baixo e alto Espiritis¬ 
mo, ou como costumava chamar o sau¬ 
doso e grande tribuno espírita Viana de 
Carvalho : um Espiritismo de tamanco e 
outro de sapato de verniz. Só há um Es¬ 
piritismo : é o codificado por Allan Kar- 
dec e fundamentado nos Evangelhos de 
Jesus. O outro, constituido por aquelas 
práticas a que me referí, não é baixo e 
sim falso Espiritismo. 

Aliás, todos devem saber que nas 
práticas adotadas no catimbáu, no xangô, 
na macumba, usam-se sempre as imagens 
e os ídolos da Igreja Católica, rosários, 
têrços, círios e velas, incenso, e, 'obriga¬ 
toriamente, Santo Onofre, São Cipriano e 
outros padroeiros, enfim, utiliza-se sempre 
um arsenal de objetos de uso católico, de 
modo que seria mais acertado denominar- 
se de baixo-catolicismo o centro que ado¬ 
tasse aquelas práticas, o que não signifi¬ 
caria desrespeito às crenças católicas. 

Se os sacerdotes combatem aquelas 
práticas legitimamente africanas, os ver¬ 
dadeiros espíritas combatem-nas muito 
mais. 

III 

Já vimos como o dr. Helio Gomes, 
médico materialista, professor catedrático 
de Medicina Legal da Universidade do 
Brasil, tratando da prática do Espiritismo 
e a saúde psíquica, afirma categoricamen¬ 
te que as sociedades espíritas não são fᬠ
bricas de loucos e que o Espiritismo não 
produz absolutamente a loucura; ao con¬ 
trário, é mesmo muito benéfico ao equi¬ 
líbrio psíquico do indivíduo, porque age 
como elemento controlador das grandes 
emoções e agitações da vida cotidiana, es¬ 
timulando, ainda, hábitos saudáveis e abs¬ 
têmios. 

Muitos outros médicos, especialistas 
em doenças nervosas e mentais, têm-se re¬ 
velado justos nas suas opiniões autoriza¬ 
das, defendendo o Espiritistno e assegu¬ 
rando que são outras, muito diferentes, as 
causas principais da loucura. 

Essas causas, no estado atual da ciên¬ 
cia, estão bem definidas e estabelecidas. 










122 


Revista internacional do Espiritismo 


Nesta crônica vamos apresentar, con¬ 
densada, a opinião do professor Pinto de 
Carvalho, respeitável catedrático de Neu¬ 
rologia e Psiquiatria na tradicional Facul¬ 
dade de Medicina da Bahia. Aliás, o dr. 
Pinto de Carvalho não se limita à tése, 
já muito repetida, das doenças mentais 
provenientes da prática do Espiritismo, e 
aborda ligeiramente a terapêutica espírita. 

Afirma aquêle ilustrado facultativo 
que discorda de muitos de seus colegas 
que atribuem exclusivamente ao médico o 
uso da psicoterapia, porquanto a verdade, 
e não resta a menor dúvida, parecendo 
até singular, é que a psicoterapia está 
mais frequentemente nas mãos dos não- 
médicos do que nas dos profissionais da 
medicina. 

Diz o dr. Pinto de Carvalho que são, 
muitas vezes, os não-médicos que conse¬ 
guem certos milagres de cura, uma vez 
que estão em melhores condições de rea¬ 
lizar certas espécies de psicoterapia pro¬ 
veitosa. 

Assegura que as estatísticas pecam 
sempre pela falta de bom critério julga¬ 
dor, quando não pela má fé dos que a 
organizam. Basta que qualquer doente de¬ 
clare-se espírita ou que assistiu a sessões 
espíritas, logo passa a figurar no acervo 
de males espirfticos. Não se procura in¬ 
dagar qual a influência que as práticas 
espíritas possam ter tido na manifestação 
da doença, nem se estabelece o necessᬠ
rio cotejo com os doentes de outras reli¬ 
giões. Por isso, as estatísticas não mere¬ 
cem fé. 

Êle diz que tem encontrado muito 


maior número de doentes mentais nas qu- 
tras religiões. 

Quantos católicos e sacerdotes, quan¬ 
tos protestantes e pastores têm enlouque¬ 
cido? Nenhum espírita, porém, já ousou 
dizer que a causa foi o catolicismo ou o 
protestantismo. Compreende-se que o fa¬ 
natismo, o misticismo e a superstição 
possam perturbar as faculdades mentais 
dos indivíduos e isso póde acontecer em 
qualquer religião. Bem examinado o as¬ 
sunto, o que não se compreende é que 
um espírita possa enlouquecer, pois, o 
Espiritismo destrói as superstições e não 
admite o fanatismo e o misticismo. 

Os que tiverem as suas faculdades 
mentais afetadas é porque já eram predis¬ 
postos e ficariam perturbados em qual¬ 
quer religião ou fóra delas. A causa da 
loucura seria outra. Por tudo isso basta 
de mentiras e calúnias assacadas contra a 
doutrina espírita por aquêles que querem 
combatê-la de qualquer módo, sem razão 
e sistematicamente. 

Êsses gratuitos adversários do Espi¬ 
ritismo deveriam lembrar-se sempre da¬ 
queles avisados e justos conceitos do ilus¬ 
trado professor Fernando de Magalhães, 
da Academia Nacional de Medicina : — 
«Não acredito no perigo médico do Es- 
pirismo. Penso que a Academia não pó¬ 
de, em sã consciência, prociamar perigo¬ 
sas as práticas espíritas. Em vez de con¬ 
denar a terapêutica espírita, a Academia 
deve evangelizar a medicina». 

Djalma Farias. 


Crônica Estrangeira 


Publicação Póstuma 

Os fenômenos psíquicos se desdo¬ 
bram, na sua grande variedade, de mol¬ 
de a não deixar dúvida alguma na in¬ 
fluência que os mesmos exercem sobre o 
nosso destino. 

O presente caso mostra como os 
nossos guias protetores velam por nós, 
quando não nos tornamos rebeldes às suas 
sugestões e conselhos. 

O caso presente pode servir de e- 
xemplo ao que afirmamos. Uma senhora 
do Além Mancha, lady Hardly, conta-o 


nos seguintes termos: «Eu era ainda mui¬ 
to nova, tinha apenas 16 anos, quando ti¬ 
ve um leve ataque de sarampo. Vivia 
nessa época com meu avô. Por conselho 
médico, fui tomar um banho quente. Fe¬ 
chei à chave a porta do banheiro e me 
despí; mas quando ia entrar no banhei¬ 
ro, ouví uma voz dizer: — abre a porta. 
A voz era nítida e exterior, no entanto 
parecia vir de dentro de mim. Fiquei 
muito admirada e olhei em volta do quar¬ 
to mas não vi ninguém. Tornei a ouvir 
a mesma voz — abre a porta. Enchi-me 
de mêdo e disse de mim para mim : ou 






Revista Internacional do Espiritismo 


- 123 — 


estou muito doente, ou então estou doi¬ 
da. Resolvi não pensar no caso e já esta¬ 
va dentro da banheira, quando ouvi a 
mesma voz repetir duas vezes — abre a 
porta. Assustada, saltei e dei volta à cha¬ 
ve para que ficasse só com o trinco. 
Quando voltei para dentro dágua, sentí- 
me agoniada e apenas tive tempo de to¬ 
car no botão da campainha, colocado ao 
pé da banheira e desmaiei. A criada do 
quarto veiu encontrar-me mergulhada 
com a cabeça debaixo dágua. Como sou 
magra e leve, poude segurar-me e ia le- 
var-me para fora do quarto de banho, 
quando, ao sair, minha cabeça bateu na 
ombreira da porta, o que me fez recupe¬ 
rar os sentidos. Ter-me-ia com certeza 
afogado se a porta tivesse ficado fechada 
à chave. Que singular acontecimento, dis¬ 
se ela, de quem seria a voz que me avi¬ 
sou ? Quem poderá negar que tenhamos 
em nós faculdades ignoradas pela ciência ?» 
— Mesmo assim, diante de factos tão ex¬ 
pressivos, a nossa rebeldia não se subme¬ 
te. Eis o motivo de nossas dores; neces¬ 
sitamos sofrer e sofrer muito para que 
assim possa ser quebrada nossa resisten¬ 
te obstinação e possamos modificar nos¬ 
sos pensamentos, dando à nossa vida mais 
razoável orientação, de harmonia com o 
fim para que fomos criados. 

I 

Frederico A . Gomes. 

❖ 

Segunda Vida 

Um caso de reencarnação, relatado por 
um grande semanário de Milão 

Em sua edição de 26 de Janeiro úl¬ 
timo, «La Domênica dei Corriere», de 
Milão, na secção «A Realidade Romanes¬ 
ca» publica o seguinte, assinado por Lui- 
gi Ugolini : 

— E porque não devemos crer no 
prosseguimento da vida, depois do fim da 
existência corpórea ? — objetou o pálido 
teósofo, com vivacidade. 

— E o senhor acredita ? 

A minha pergunta impulsiva, quase 
agressiva, não desorientou o filósofo, que 
me respondeu com calma e gravidade : 

— Creio, senhor, firmemente, sem a 
menor vacilação. Não obstante, já fui tão 
céptico como o senhor, e mais céptico 
ainda, porquanto era ateu. 


— E que coisa vos pôde converter? 

— Uma prova, uma daquelas pro¬ 
vas que convenceriam o mais endurecido 
incrédulo. 

— Quereis guardar segredo ? 

O teósofo olhou-me longamente, e 
depois respondeu-me com decisão : 

— Com uma alma vulgar, talvez 
quisesse, mas com o senhor, não. Demais, 
é bom divulgar se a crença ; um dia, não 
mais deveremos continuar incrédulos na 
terra. O sr. conhece a minha filha, não é 
verdade? E’ uma linda menina, que não 
completou ainda os sete anos, inteligen- 
tissima e precoce. Ela é a minha alegria, 
o único conforto que me restou, depois 
do desaparecimento... da outra. 

— O sr perdeu uma menina ? 

— Sim ... ou melhor : não sei. A- 
juizará o sr. mesmo, depoi de ouvir a 
minha história. 

As últimas palavras 

— Dez anos depois de casado, tive 
a inesperada ventura de vêr nascer a mi¬ 
nha Stela, bela menina, boa e inteligente. 
Eu morava então na província, numa pe¬ 
quena e quieta cidadezinha. Tinha na mi¬ 
nha companhia a minha mãe, e podia 
considerar-me um homem feliz. 

A avó adorava a netinha, e Stela 
demonstrava, por sua vez, um apego for¬ 
tíssimo pela avó, tanto que a minha mu¬ 
lher terminou por se enciumar. E nesse 
egoísmo sublime de todas as mães, diri¬ 
gia, às vezes, uma leve repreensão à pe¬ 
quena, acusando-a de não lh’a querer bem. 

Stela, de uma inteligência superior 
à sua idade, tinha, às vezes, respostas es¬ 
tranhas, que nos deixavam perturbados. 
Lembro-me de que um dia a mãe lhe 
falou : 

— Porque não gostas de estar co¬ 
migo ? Acreditas que te quero menos do 
que a vovó ? 

— Não, — respondeu Stela, — és a 
minha mamãe, e estarei sempre contigo ; 
mas com a vovó só estarei ainda por mais 
um pouco de tempo. 

Tomamos esta resposta por um tris¬ 
te presságio, tanto mais que a minha 
mãe, já de idade avançada, não gozava 
também de boa saúde. Mas a previsão 
devia-se realizar de modo diferente. Stela 
adoeceu gravemente de escarlatina, e to- 
dos os socorros da ciência de nada vale¬ 
ram. Minha mulher e minha mãe não 









- 124 - 


Revista Internacional do Espiritismo 


saiam um minuto de perto do seu leito- 
zinho. A menina, embora se agravando, 
não perdeu jamais a sua lucidez. Poucas 
horas antes de expirar, dirígiu-se á mãe : 

— Eu te falei que tinha pouco tem¬ 
po para ficar com a avozinha ! 

Morreu na mesma tarde. Minha mu¬ 
lher meditou longamente sôbre as últimas 
palavras da pequena, mas não conseguia 
se acalmar. 

— Mas comigo também ela sabia 
que devia ficar tão pouco ! — repetia-me, 
desolada. 

Quanto à minha mãe, não pôde re¬ 
sistir ao golpe, e cinco meses depois ia 
procurar a adorada netinha, num mundo 
melhor. Já vos disse que era céptico por 
natureza, e com aquela dupla desgraça 
perdi por completo qualquer vislumbre de 
crença. Não podia aceitar que um Ente 
bom e misericordioso permitisse tanta 
desventura. A cidade em que eu vivia 
pareceu-me intolerável. Pedi uma transfe¬ 
rência, e consegui-a. No ano seguinte, mi¬ 
nha mulher era mãe pela segunda vez. 
Eazia um ano da morte de Steia, e já 
na minha casa sorria uma outra menina, 
que era a imagem viva da desaparecida. 
Chamei também de Steia a essa minha 
segunda filha, e daquele dia em diante 
reintegrei-me na vida. 

A menina cresceu, como a outra, 
bela e inteligente. A’s vezes a ilusão era 
tão perfeita, que eu pensava ter sofrido 
apenas um mau sonho. 

Aos cinco anos Steia não sabia que 
tivera uma irmãzinha, e recomendei à mu- 
lher que não lhe fizesse nenhuma alusão 
ao passado, para não perturbar a sua 
tranquilidade. 

Dois anos mais tarde, por motivos 
de serviço, tive de voltar à cidadezinha 
em que havia sofrido as duas perdas 
cruéis, e, como devia demorar-me algu¬ 
mas semanas, minha mulher insistiu para 
acompanhar me : 

— Sozinho tereis de sofrer a dor 
da recordação — disse-me. Além disso, 
eu desejo levar uma flor ao túmulo da 
nossa primeira Steia. 

Levámos, naturalmente, a nossa fi¬ 
lha na viagem, mas confiamo-la a uma 
família amiga, na hora da nossa visita ao 
cemitério. Um dia, porém, enquanto pas¬ 
seavamos, silenciosos, pelas ruas da vizi¬ 
nhança, não sei se o acaso, ou uma fôr- 
ça irresistível, aproximou nos da casa da 
nossa desventura. Olhei para minha mu¬ 


lher, que rpe acenou com a cabeça. A’s 
vezes o coração humano se compraz na 
busca de antigas amarguras, na evocação 
do passado. 

Não podia saber . . . 

«r 

— Eu vos juro, senhor, que a mi¬ 
nha pequena não sabia, de maneira algu¬ 
ma, que nós tivéssemos jamais residido 
naquela cidade... no entanto, nós a via- 
mos voltar-se de um lado e de outro, es¬ 
tupefata, surpreendida. Sorria, e calava. 

E eis que aconteceu a coisa inaudi¬ 
ta, inacreditável ! No momento preciso 
em que passavamos diante daquela porta 
e daquela janela, põe-se a menina a sal¬ 
tar alegremente. 

— Olha ! olha, papai 1 — exclamou 
— Olha a janela onde eu sempre ficava 
com a avozinha ! Mas não tem mais flo¬ 
res, agora ! 

Senhor Deus ! Era verdade 1 Naque¬ 
le balcão, um tempo florido de gerânios 
e cravos, a minha Steia perdida passava 
longas horas, na companhia de minha 
mãe ! 

Não sabia, a menina, não podia sa¬ 
bê-lo ! Eu e minha mulher nos entreolhᬠ
mos, aterrados e mudos, como diante da 
revelação do grande mistério da vida. 

Depois prorrompemos num pranto 
incessante, irrefreável. 

* 

Provas de Reencarnação 

«Spirituaiisme» (Bélgica) 

A snra. Juprelle, de Liège, subme¬ 
teu ao Congresso Espírita de Liège, em 
Junho último, o seguinte caso de reen¬ 
carnação : 

«Pierre D... morreu em Fevereiro 
de 1921. Comunicou-se diversas vezes, tan¬ 
to pela tiptologia como por outros meios. 
Certo dia, em Setembro de 1931, êle nos 
afirmou que se reencarnaria em nossa fa¬ 
mília ; acrescentou que nasceria enfêrmo 
e assim permaneceria até sua morte, aos 
seis anos de idade. A uma pergunta mi¬ 
nha, êle deu a razão dessa curta reencar¬ 
nação : «Eu não me tratei no curso de 
minha última existência e apressei minha 
morte, seis anos antes; devo, pois, com¬ 
pletar essa vida.» Não tínhamos relações 
com a família, mas por intermédio de 



Revista Internacional do Espiritismo 


125 


um agente de polícia amigo, obtivemos 
confirmação dos factos, sem que o poli¬ 
cia conhecesse a razão de nossas investi¬ 
gações. Foi êle próprio que nos forneceu 
os primeiros esclarecimentos. Com efeito 
a criança nasceu enferma e, a despeito de 
todos os cuidados dos pais, morreu, co¬ 
mo fora anunciado, aos seis anos de ida¬ 
de, em outubro de 1938. 

«Durante esses seis anos, Pierre D... 
não deu sinal de vida por intermédio de 
qualquer dos médiuns. Mas após a morte 
de referida criança, êle voltou (em feve¬ 
reiro de 1939) dar-nos suas notícias. Al¬ 
guns anos depois, de novo anunciou sua 


reencarnação (desta vez por intermédio 
de sua própria filha), fornecendo diver¬ 
sos indícios. A filha casou-se em 1944; a 
criança nasceu a 13 de Junho de 1945. 

«Tudo faz crer que se trata de reen¬ 
carnação de Pierre D . . . Física e moral¬ 
mente o menino se assemelha a Pierre 
D . .., que nós conheciamos. Reconhece¬ 
mos certas tendências e diversos indícios 
mostram que se trata bem do espírito 
reencarnado. Mas esperemos, por que Pier¬ 
re D . .. prometeu, no momento em que 
se despedia, fornecer provas de sua reen¬ 
carnação. 


ESPIRITISMO NO BRASIL 


Operado por um Espírito na 
residência do poeta Sergipano 

Depois da intervenção, caminhou sem 0 au¬ 
xílio das muletas — Assistiram ao ato vᬠ
rias pessoas inclusive médicos 

Subordinada ao título e sub- tí¬ 
tulo supra, «À Tarde», de Salvador, 
Bahia, de 26 de Abril último, publicou 
circunstanciada notícia, enviada pelo 
seu correspondente em Aracaju, rela¬ 
tando um caso sensacional de opera¬ 
ção clínica praticada por médico do 
Espaço, na pessoa do sr. João Mene¬ 
zes de Oliveira, agricultor, residente 
à rua Laranjeiras, naquela capital. 

O sr. José Menezes de Oliveira, 
segundo a narrativa em aprêço, ten¬ 
do há seis anos passados sofrido um 
grave acidente, desde então se acha¬ 
va impossibilitado de se locomover 
sem o auxílio de muletas. 

No dia 10 daquêle mês compa¬ 
receu êle, ás 19 horas, à residência 
do poeta Freire Ribeiro, onde se vi¬ 
nham realizando sessões espíritas, e 
aí, pelo próprio beletrista, que é mé¬ 
dium vidente, foi visto .junto ao visi¬ 
tante o Espírito de um médico fran¬ 
cês, que declarou iria operar o sr. 
Oliveira, cujo retrato «A Tarde» tam¬ 
bém inseriu. 

«O dono da casa presenciou en¬ 


tão o Espírito aproximar-se do doen¬ 
te e aplicar-lhe uma injeção, tendo 
êste, no momento, sentido a dôr pro¬ 
duzida pela mesma. Diante, do acon¬ 
tecido, Freire Ribeiro foi à residência 
do dr. Waldir Barreto de Andrade, 
médico, que mora defronte à sua ca¬ 
sa, pedindo-lhe para acompanhar, 
como médico, tudo quanto se pas¬ 
sava». 

«Ao chegar o dr. Waldir, o Es¬ 
pírito «apoderou-se* do doente e a- 
pertou a mão do mesmo, declarando 
que iria operar imediatamente o sr. 
José Oliveira. Nesse momento deu-se 
o fenômeno: José Oliveira movimen¬ 
tou a perna aleijada e, atirando as 
muletas ao chão, percorreu a casa, 
pulando, por fim. diante do médico, 
dr. Waldir Barreto de Andrade». 

Tendo o operador espiritual pro¬ 
metido voltar no dia 17 para conti¬ 
nuar o tratamento, à hora aprasada 
reuniram se no mesmo local mais de 
20 pessoas, entre as quais os médi¬ 
cos drs. Antonio Garcia Filho, João 
França Santana e Nelson Tavares da 
Mota e nessa ocasião o EsDírito, que 
dera o nome de R. Charles, neuro- 
operador francês já falecido, prosse¬ 
guiu o trabalho operatório, ao fim do 
qual o paciente, que antes tinha a 
perna tão dolorida a ponto de não 
poder tocá-la, caminhou normalmente 
até à sua casa, numa distancia de 
cerca durn quilómetro, seguido de e- 






- 126 


iteTista internacional do Espiritismo 


norme multidão tomada de curiosida¬ 
de e de espanto. 

0 Diagnóstico formulado pelo Espirito 

O mais sensacional — remata o 
noticiarista —é que José Oliveira, que 
nada entende de medicina, vivendo 
simplesmente do cultivo de abelhas, 
em sua residência, desde que ficou 
aleijado, (antes era agente de segu¬ 


ros), escreveu tomado pelo Espírito 
operador, o seguinte: 

DIAGNÓSTICO : a) Lesão — ou 
diagnóstico: ferimento contuso na re¬ 
gião glútea, seccionando as artérias 
ciáticas, nervos ciáticos e veias; b) 
não há lesões teninosas; c) Hipertro¬ 
fia no ciático popiteo externo direi¬ 
to; d) alta de função na região do 
astrágolo. (a) —R. CHARLES. 



Dr. Luiz Parigot de Souza 

A’s 19,30 horas do dia 3 de A- 
bril do corrente ano, nesta cidade, 
Curitiba, Paraná, à rua Emiliano Per¬ 
neta, ô31, desincarnava o dr. LUIZ 
PARIGOT DE SOUZA, médico nota¬ 
bilíssimo e extraordinário médium de 
efeitos físicos e de voz direta. 

Encontrei o nos últimos dias de 
sua existência terrena no leito de dôr, 
rodeado da família e dos amigos, 
certo do seu próximo fim, mas e so¬ 
bretudo certo de que a morte é a 
ressurreição. Desencarnou com sere¬ 
nidade e reconhecido com a vida, 
que desfrutára, e lhe déra a conhecer 
a verdadeira solidariedade humana. 

Foi grande médico do corpo. Os 
enfêrmos nele encontravam o conso¬ 
lador, o remédio e o alívio e, muitas 
vezes, a cura. 

Pensador, a tribuna popular e a 
dos recintos fechados constituiam-lhe 
a fôrça para defender o oprimido, e 
combater o êrro, para edificar um 
mundo melhor e mais instruído para 
acelerar o progresso social. A sua 
palavra sempre foi brilhante, eloquen¬ 
te e profunda. Sofreu muito no seu 
apostolado libertário, porque a ini¬ 
quidade o constrangia e o prendia. 
Muitas vezes foi perseguido, e per¬ 


deu cargo público porque entendia 
que a sua consciência não estava sub¬ 
metida às conveniências pessoais, mas 
estava ao serviço do bem coletivo. 

Médium, superiormente inspira¬ 
do, colocava se humilde e devotado 
aos deveres de sua mediunidade, e 
muita gente, antes incrédula e não ra¬ 
ra zombeteira, recebeu o bálsamo da 
prova da imortalidade da alma. Os 
espíritos falavam aos assistentes, e 
os assistentes, que antes não se im¬ 
portavam com os problemas do «A- 
lém», passaram a compreender o Es¬ 
piritismo. Quem o visse discorrer so¬ 
bre o Espiritismo ficava-lhe grato pe¬ 
las salutares lições. Em verdade, o 
Espiritismo é a doutrina da ternura e 
do estímulo. 

Eu que o conheci posso afirmar 
que ê!e sempre foi «o médico das al- 
âmas», no sentido próprio do têrmo. 
Agora, no «Além», continuará mais 
forte a batalhar pelo bem da huma¬ 
nidade e há de vêr que as suas idéias, 
pensamentos e planos de vida melhor 
para o mundo e para a humanidade 
não é uma quimera, mas profunda 
realidade. 

Que Deus o ampare. 

Francisco Raiiani. 

De «Boletim Espírita», de Curi¬ 
tiba, Paraná. 


Com o conhecimento da Verdade que Jesus -vos legou, o Espiritis¬ 
mo está edificando nas almas a verdadeira fé, que tem por base a 
Imortalidade. Esforçai-vos, portanto, no sentido de difundir o mais e 
o melhor possível, esta doutrina de vida eterna e amor, afim-de vos 
tornardes partícipes da obra do Senhor. — CAIRBAR. 































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Renista Internacional 
—= do espiritismo 


REVISTA MENSAL DE ESTUDOS ANÍMICOS E ESPIRITAS 

Diretor: José da Costa Filho —-" Redator : A Watson Campeio 


Reôação e Ròminisfração 

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A Revista Internacional do Espiritismo está em comunicação com 
as principais revistas européas, em vista do que, além dos artigos de fundo dos 
seus colaboradores, publica os relatos dos jornaes de além mar, dá conta 
das conferências, dos congressos, e na sua Crônica Estrangeira e E cos e 
Notícias, deixa os leitores ao par de todos os factos e novidades Anímicos e 
Espíritas ocorridos no mundo inteiro. A Revista aparece regular¬ 
mente a 15 de cada mês, com 32 a 40 páginas de acordo 
com a matéria de urgência, utilidade e 
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Agosto e são pagas adiantadamente 

A’ venda na Livraria da Federação Espirita Brasileira 

Avenida Passos, 30 : Rio de Janeiro 


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